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Série discute questões de gênero e de identidade

Comédia dramática ‘Todxs Nós’ estreia dia 22, às 23h na HBO

Alessando Giannini, ESPECIAL PARA O ESTADO

17 de março de 2020 | 08h00

Logo no primeiro episódio de Todxs Nós (pronuncia-se “todes” nós), série original da HBO que estreia no dia 22, às 23h, Rafa (Clara Gallo) aparece de surpresa no apartamento que seu primo Vini (Kelner Macêdo) divide com a amiga Maia (Julianna Gerais), em São Paulo. Representantes de minorias dentro e fora do universo LGBTQIA+, os três são jovens em início de carreira que buscam oportunidades para crescer pessoal e profissionalmente em uma grande metrópole.

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Produzida inteiramente com recursos do canal de TV por assinatura, a primeira temporada da comédia dramática tem oito episódios de meia hora cada um que estreiam no canal HBO e na plataforma HBO GO. No centro da trama estão as questões identitárias, de gênero e de representatividade racial, o que inclui ainda o uso de linguagem adequada para se dirigir a pessoas que não se identificam nem como homens, nem como mulheres.

Rafa, justamente a protagonista que não se identifica nem com o gênero masculino nem com o feminino, foge da casa da família em Botucatu porque o pai não consegue entender seu desconforto diante de padrões impostos pela sociedade. 

Como única saída possível, ela busca aceitação e refúgio no apartamento de Vini, o primo gay, que mora com Maia, uma mulher negra, feminista e vegana que trabalha como programadora em uma empresa de transporte. Ao chegar, ela diz ao parente e sua amiga que não é “prima” dele, mas sua “prime”.

“Piloto é sempre muito difícil”, diz Roberto Rios, vice-presidente corporativo de produções originais da HBO Latin America. “Neste caso, a série começa com uma porta se abrindo e os problemas todos apresentados (para o espectador) de uma vez. E essa primeira conversa entre os três personagens principais acontece de uma forma muito natural, porque a Rafa está animada com as decisões que ela toma. Se vai mudar opiniões? Acho que sim.”

Carla Gallo, que como Julianna Gerais e Kelner Macêdo foi escolhida por intermédio de testes, diz que Rafa foi uma descoberta, justamente por ser diferente da personagem. “Ela é mais ‘impulsive’, eu não. Além disso, foi muito libertador ver que tem gente falando de não binaridade. No sentido de que foge dos padrões impostos pela sociedade, o que dialoga muito comigo, que nunca gostei de estar submetida aos padrões que outras pessoas impõem para mim”, diz ela.

Para Julianna, que sempre esteve muito ligada aos movimentos negro e feminista, interpretar Maia a fez resgatar alguns valores. “Embora esses assuntos estejam sendo mais discutidos hoje, a nossa tendência é se acomodar um pouco, mesmo sabendo que a sociedade quer me embranquecer. Ao tomar contato com ela, voltei a perceber os racismos intrínsecos, os machismos intrínsecos. Na pele dela, encontrei outra potência”, diz a atriz.

Lunar e solar. Macêdo diz que sua relação com a vida é muito diferente da de Vini, classificado na própria série como “careta”: “Somos muito diferente: ele é lunar e eu sou solar. O Vini vive as expectativas e projeções da mãe. Durante a série, a gente vai acompanhar essa desconstrução dele. Então, vai perceber que não é do teatro, é das exatas. Ele tem outros desejos diante da vida.”

Embora trate de questões sérias, Todxs Nós tem um tom bem-humorado e ácido. Isso aparece até mesmo na composição dos personagens, que não vestem o figurino de vítimas e não escondem suas idiossincrasias, nem seus defeitos. O que pode parecer, de início, uma visão crítica, é na opinião de Vera Egito, cocriadora e diretora-geral da série, “uma vontade de mostrar a diversidade entre nós”.

Vera conta que, para manter a coerência, a equipe de roteiristas contou com profissionais gays, mulheres cis e trans: “A gente tinha essa diversidade toda, e não concordava em tudo. Tinha questões que a gente discordava e discorda. Então, não acho que seja uma crítica (aos personagens). O guarda-chuva é maior. Concordamos que temos de existir e nossas existências devem ser validadas e respeitadas, ainda que não pensemos da mesma forma sempre.”

O codiretor e corroteirista Daniel Ribeiro complementa: “Não queríamos ser maniqueístas com os personagens. Todo mundo vem de algum lugar, e todo mundo é humano. Eles erram e aprendem. Não se nasce desconstruído, nem com todas as respostas”.

Além da série, a HBO vai levar ao ar, após a exibição de cada episódio, um podcast na plataforma HBO GO, no site da emissora e em outros veículos. Com a participação de Vera Egito, Daniel Ribeiro e da corroteirista Alice Marcrone, a ideia é aprofundar os temas discutidos. No final da temporada, um programa especial vai reunir o trio de protagonistas para relembrar os melhores momentos e falar de bastidores.

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