James Dittiger/Netflix
James Dittiger/Netflix

Série 'Death Note' põe foco na falta de confiança dos jovens nas instituições

Nova produção da Netflix estreia nesta sexta-feira, 25

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

24 Agosto 2017 | 19h39

VANCOUVER - Depois de assegurar seu espaço com séries originais, a Netflix investe pesado em filmes como War Machine, estrelado por Brad Pitt, e Okja, de Bong Joon-ho, que participou do último Festival de Cannes. A mais nova aventura da companhia no setor é Death Note, de Adam Wingard (Você É o Próximo, Bruxa de Blair), que faz a adaptação em língua inglesa do mangá de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, já transformado em anime e quatro longas no Japão. 

O Estado visitou o set em Vancouver, que se passa por Seattle, sede da trama. Numa roda-gigante construída num píer de mais de 200 m de comprimento, foram rodadas cenas entre o protagonista, o adolescente Light Turner (Nat Wolff, de Cidades de Papel), e sua amiga/interesse romântico Mia Sutton (Margaret Qualley, da série The Leftovers). No filme, Light recebe um caderno mágico - o death note do título - de Ryuk (voz de Willem Dafoe), um deus da morte. Se o dono escreve o nome de uma pessoa visualizando seu rosto, ela morre. Enquanto isso, o misterioso detetive L (Lakeith Stanfield, da série Atlanta) investiga os crimes do serial killer Kira.

Death Note fala de justiça e da falta de confiança dos jovens nas instituições. “Todo mundo tem um lado que seria capaz de fazer aquelas coisas se tivesse a chance”, disse Wolff em entrevista. Muita gente vê Light como um vilão, mas Adam Wingard quis construir o arco dramático aos poucos - a ideia é que seja uma trilogia. “Em outro filme, ele seria o vilão. Aqui, é o protagonista. Se começasse muito duro, poderia ser desagradável. Queria mostrar como alguém que tem alguma nobreza de intenções acaba usando o caderno sem se preocupar com a humanidade.”

Apesar dos elementos fantásticos, Wingard queria basear tudo na realidade. “Para mim, as adaptações de quadrinhos não funcionam tanto se não parecerem reais. Por isso, gosto da série do Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan”, explicou. Antes de começar a filmar, ele e seu diretor de fotografia David Tattersall assistiram a Se7en - Os Sete Crimes Capitais e Clube da Luta, ambos de David Fincher, além de Operação França, de William Friedkin. Se, no mangá, o caderno é comum, de escola, aqui o diretor quis lhe dar um ar mais solene, com capa dura e cara de vivido - ele já esteve em posse de Napoleão Bonaparte e dos vikings. A equipe de arte fez um exemplar para os closes, com papel velino, escrito em diversas línguas, e outras 15 cópias mais simples para outros tipos de cenas. “Pegamos um conceito fantástico - é literalmente um caderno que mata pessoas - e queremos fazer as pessoas acreditarem ser verdadeiro”, explicou Wingard. 

O projeto começou com o produtor Roy Lee, que está por trás da adaptação de outros originais asiáticos, como O Chamado e Os Infiltrados, e originalmente era para ser feito pela Warner. No fim, o filme acabou com a Netflix, o que permitiu maior liberdade e escapar de uma classificação indicativa mais ampla. “O assunto - pessoas sendo assassinadas por um adolescente - era adulto, então na Netflix não precisávamos nos conformar à classificação”, acrescentou Lee. “Fora que lançar na Netflix certamente vai fazer com que mais pessoas assistam.”

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