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Série da HBO, 'Camping' mostra mulheres da vida real

Com 8 episódios, atração da famosa dupla de ‘Girls’, Lena Dunham e Jenni Konner, fala de relações complicadas entre oito pessoas que vão acampar em aniversário

Mariane Morisawa, Especial para o Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2018 | 18h45

LOS ANGELES - Depois das “millenials” de Girls, Lena Dunham e Jenni Konner voltam-se para a geração X em Camping, série limitada a oito episódios que está no ar na HBO, aos domingos, às 23h, e no serviço HBO GO. Em entrevista ao Estado, Konner comparou os dois programas: “Em Girls, eram mulheres jovens que não conseguiam ficar quietas. Elas precisavam dizer tudo o que vinha à cabeça naquele minuto. E aqui temos mulheres adultas com relacionamentos complicados, tentando segurar tudo dentro de si”. 

Os personagens – quatro mulheres e quatro homens – estão todos juntos no acampamento do título, organizado por Kathryn (Jennifer Garner) para comemorar o aniversário de 45 anos do marido Walt (David Tennant). Os convidados são Carleen (Ione Skye), irmã de Kathryn, e seu marido Joe (Chris Sullivan), Nina-Joy (Janicza Bravo) e seu marido George (Brett Gelman), e o recém-separado Miguel (Arturo del Puerto) com seu novo caso, a maluquete Janice (Juliette Lewis). “Fica quase impossível evitar as tensões. Uma hora, elas vão explodir”, disse Konner sobre sua versão da série inglesa de mesmo nome, criada por Julia Davis. 

Como em Girls, a dupla Dunham-Konner não tem medo de apostar em personagens femininas que estão longe de ser adoráveis. “Gosto de pensar que equilibramos a sombra e a luz”, afirmou Jenni Konner. “Os homens têm sido mostrados como seres pouco adoráveis em histórias complicadas há anos.” Kathryn é uma personagem controladora, que organiza a viagem nos mínimos detalhes, criando uma programação rígida, e faz tudo para agradar, mas acaba desagradando. A atriz Jennifer Garner a defende, chamando-a de heroína. “Não acho que ela seja intolerável, é injusto e mais complicado que isso”, contou. “E ela está convivendo com algo que não compreendemos, que é a dor crônica. É injusto não colocar isso na balança, ela precisa superar isso apenas para existir. E, no fim das contas, foi ela quem juntou os amigos, ou seja, estar junto deles é importante para ela.” Esse é um dos poucos aspectos que Dunham e Konner trouxeram de suas vidas para Camping. Lena revelou que sofre de dores terríveis e constantes por conta da endometriose. 

Apesar de lidar com esse tema sério, Camping é mais abertamente cômica do que Girls. David Tennant, conhecido por interpretar Doctor Who e também vilões como Kilgrave em Jessica Jones, ficou animado com a possibilidade de fazer algo diferente. Walt é desajeitado e submisso à mulher. “Ele é muito doce. É adorável. E tenho vontade de dar uma sacudida nele”, lembrou o ator escocês. “Temo um pouco que Walt seja mais próximo de mim do que qualquer outro papel que tenha feito. E isso é libertador, mas um pouco assustador por me expor demais também.”

A principal razão de Camping ter atraído esse time de atores estrelado foi a assinatura da dupla. Mas Konner sabe que um fenômeno como Girls é algo que acontece, com sorte, uma vez na vida da maioria dos criadores. Se a HBO quiser, ela se disse aberta a uma segunda temporada, apesar de Camping ter sido pensada como série com começo, meio e fim. Pode ser, porém, que seja em outros moldes da parceria: em julho, Lena Dunham e Jenni Konner anunciaram uma pausa na sociedade. Sem dramas, segundo Konner. “Tivemos oito anos incríveis juntas, o que é um período longo. Agora queremos fazer coisas distintas.” 

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