Ramón Vasconcelos/Globo
Ramón Vasconcelos/Globo

Série ‘Carcereiros’, que adapta livro de Drauzio Varela, busca entender o bem e o mal

Série estreia nesta quinta-feira, 26, na TV Globo

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2018 | 20h20

Tiradentes, no interior de Minas Greais, abriga em janeiro a Mostra Aurora, principal vitrine da produção autoral e independente de cinema do País. Em 2018, ampliando um pouco o leque, Tiradentes abriu espaço para discutir a relação da teledramaturgia com a literatura.

E o foco foi a série Carcereiros, de José Eduardo Belmonte, adaptada – por dois craques, Fernando Bonassi e Marçal Aquino – do livro de Drauzio Varela. Série estreou na quinta, 26, na TV Globo - e segue sempre às quintas, na mesma emissora.  

De cara, Aquino e Bonassi disseram aquilo que qualquer pessoa que acompanhe minimamente o noticiário está cansada de saber – o sistema carcerário brasileiro é cruel, desumano. E o diretor Belmonte – seu filme que mais se aproxima do universo da série é Alemão.

Rodrigo Lombardi faz o protagonista. É um agente penitenciário, personagem que o sistema tenta manter no anonimato, mas que volta e meia vai parar nos jornais e na TV – como refém, quando as penitenciárias explodem, e isso ocorre com frequência.

Em casa, Othon Bastos adverte o filho/Lombardi.

Por que ele insiste em trazer para o ambiente familiar a pressão do trabalho? Quem responde é a chamada da série – o carcereiro pode sair da penitenciária, mas a penitenciária não sai de dentro dele. Como diretor, Belmonte gosta de retratar pessoas diante de problemas grandes demais – que as ultrapassam.

Os carcereiros vivem nesse limite. São servidores de um Estado que não lhes fornece ferramentas para enfrentar situações graves diante de gangues criminosas. E vivem expostos à violência.

Além do texto e da interpretação sólidos, Carcereiros beneficia-se daquilo que Daniel Filho gosta de chamar de “plus a mais”. A série funciona em dois registros, incorporando imagens de um documentário por Fernando Grostein, Pedro Bial e Claudia Calabi sobre a violência, incluindo motins, em presídios.

Carcereiros (reais) dão seus depoimentos, costurando a trama. Desde quinta, 26, a Globo soma à ficção de Onde Nascem os Fortes o docudrama de Carcereiros. Se você não reza na cartilha do bandido bom é bandido morto, a série vai ajudar a iluminar a realidade (e entender o Brasil).

Nada da simplificação de mocinhos versus bandidos. Carcereiros busca o humano para entender o bem e o mal de cada figura em cena.

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