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Série Amores Livres revela dores e encantos de relacionamentos não monogâmicos

Seriado documental estreia em agosto no GNT

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2015 | 04h00

Rio de Janeiro - Aline, que namora Léo, e também namora Daniel, que namora ainda Salete, que é amiga de todos. E Marília, e Bruno, e outros integrantes da rede de afetos, companheirismo e liberdade, intransigente com ciúmes, preconceitos e cerceamentos. Todos são apresentados em Amores Livres, série documental que o GNT estreia em 5 de agosto.

Em dez episódios, o programa, dirigido pelo documentarista João Jardim, traz ao espectador o universo desconhecido do “poliamor”, vivenciado com naturalidade diante de filhos, pais e amigos. São mostrados relacionamentos abertos, troca-troca de casais e “trisais” (casais com três integrantes).

Aline, Léo, Daniel, Salete, Marília e Bruno são jovens de São Paulo que descobriram ser felizes nos amores sem amarras. Fazem disso uma bandeira política. Não querem relacionamentos avulsos e superficiais, preferem namoros transversais, em nada possessivos, mas com comprometimento. O casal inicial era formado por Aline e Léo, que namoraram num esquema tradicional por três anos. Até chegar Daniel e, depois deles, os demais membros, hoje militantes do coletivo Rede Relações Livres.

“A gente não se apropria das pessoas com quem escolhe se relacionar. Quando vejo que ele fica radiante de conhecer alguém, eu também fico”, disse Aline. “Não existe a necessidade de você ter relação com os parceiros dos seus parceiros, mas é legal ter, para ver que eles não rivalizam com você”, continua Salete. “Como militante das relações livres, a gente não considera legítimo dizer o que o outro pode fazer com seu corpo. Isso é uma forma de opressão”, define Léo.

“Nunca tinha ouvido o termo ‘poliamor’, descobri um novo mundo. São pessoas que experimentaram a monogamia e resolveram ter múltiplos afetos, por achar que uma única pessoa não dá conta de tudo que desejam. Mostramos como se dá na prática: há ciúme? Gera estranheza? Há casos de mulheres que não toparam participar por medo de perderem a guarda dos filhos”, disse João Jardim, que encontrou personagens entre 20 e 60 anos no Rio, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Buenos Aires.

Cada episódio tem suas particularidades. O primeiro, do “trisal” de Porto Alegre Fada, Bardo e Aline, mostra como crianças entram nessa configuração. Casados há 12 anos, os músicos Fada e Bardo têm duas meninas e Aline é namorada dos dois, e também de cada um individualmente. Se a filha mais nova tem febre, é para Aline que ligam para que a criança seja acudida. “Somos três pessoas que se amam e que querem ficar o máximo do tempo juntas. Quanto mais amor, melhor”, afirmou Fada. O marido, que precisou fazer um “trabalho de desconstrução” do paradigma da monogamia para convencer a mulher a abrir a relação, diz que “nasceu poli”. Aline chora ao falar da discriminação que sofre por sua escolha: “Ninguém que conheço entendeu, tem pressão de todos os lados. Dói”.

De Minas vem o “trisal” de meia-idade Eustáquio, Audhrey e Rita. Os dois primeiros eram casados e se separaram. Ele se casou então com Rita. Mas quando Audhrey reapareceu, dizendo que o amor perdurava, passaram todos a morar na mesma casa. As semanas de dormir com Eustáquio são alternadas, e não há relação sexual entre as duas mulheres, que se fizeram amigas irmãs. “Eu não imagino mais minha vida com ele sem ela, não faz sentido”, disse Audhrey. A harmonia é tamanha que há cinco anos o trio firmou em cartório uma escritura pública de união estável poliafetiva, que lhes assegura direitos civis, como pensão do INSS.

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