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Serial killer de 'Dupla Identidade' atacará às sextas-feiras

Série dispensa sangue e explora a mente de tipo pouco explorado

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2014 | 03h00

Com Dupla Identidade, série que estreia nesta sexta-feira, após o Globo Repórter, a teledramaturgia brasileira volta a se ocupar de um serial killer. Figura muito presente nas séries americanas, o tipo é rara aparição na nossa ficção televisiva. Vez ou outra, aparece um deles nos noticiários de TV. Da minissérie As Noivas de Copacabana para cá, 22 anos se passaram e os recursos tecnológicos avançaram anos-luz - para o bem das investigações criminais, como para o audiovisual.

De Glória Perez, com direção de Mauro Mendonça Filho, Dupla Identidade foi toda rodada em 4K, espécie de ultra alta definição. Eleito para o posto, Bruno Gagliasso conta ao Estado que não foi convidado para o papel. “Eu me ofereci, pedi para fazer mesmo”, admite. “E quando a Glória me disse que, na verdade, o personagem era alguém mais velho que eu, bati o pé: ‘de jeito nenhum! Eu faço o teste. esse papel é meu!’, falei”. Procurou por Mauro Mendonça Filho e se submeteu à prova dos nove.

Aceito para a missão, Gagliasso mergulhou numa preparação que vai do intelecto ao físico. Assistiu a séries como The Fall e Dexter, viu documentários sobre criminosos desse perfil no mundo todo, consumiu literatura do gênero e mergulhou no blog criado pela autora (http://gloriaperez.com.br/duplaidentidade/), com detalhes de toda a pesquisa levantada por ela em torno do assunto.

“Mandei para ele algumas imagens de olhares de feras e falei: esse é o olhar do personagem”, disse Glória, em entrevista ao Estado em seu escritório, em Copacabana. E mostrou o resultado da comparação entre os olhares dos felinos e do ator, já caracterizado para o papel. “Ele captou com perfeição”, elogia.

Gagliasso explica: “É um olhar que nunca ninguém vê porque é o olhar do serial killer diante da vítima. Por isso, buscamos isso no bicho, na fera: é a expressão diante da presa.”

Sedutor e ambicioso, Eduardo Borges, batismo do personagem, trabalha como voluntário numa espécie de CVV - Centro de Valorização da Vida -, atendendo a pessoas que, em boa parte, cogitam suicídio. Faz parte da fachada social do criminoso, mas também do prazer em jogar com a vida e a morte. Eduardo aprecia a brincadeira de gato e rato, o que o leva a duelar com a psicóloga forense Vera, papel de Luana Piovani, e com o delegado Dias, interpretado por Marcello Novaes.

A namorada, vivida por Débora Falabella, é alguém com quem o assassino se diverte, quando lhe convém. Aderbal Freire Filho também entra em cena, como um senador que, para o assassino, representa possibilidade de ascensão ao poder.

Apesar dos paralelos com Dexter, Glória Perez avisa que Dupla Identidade dispensa sangue. “Ele mata com as mãos, estrangulando”, adianta o ator. Eduardo fará uma vítima em cada um dos 13 episódios, mas o primeiro já reserva dois crimes, de modo a anunciar ao espectador, de cara, que não estamos diante de mais um “quem matou?”, e sim de uma série de homicídios. 

“Ele gosta de estrangular e de soltar as mãos quando a vítima está quase morta, para depois estrangular de novo”, completa Gagliasso, que conta ter feito preparo físico específico para ganhar o fôlego e os músculos necessários ao antebraço de quem praticará um homicídio por semana.

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