João Miguel Júnior / GLOBO
Gilberto Braga participa da apresentação da novela Babilônia em 2015. João Miguel Júnior / GLOBO

Sepultamento de Gilberto Braga terá cerimônia restrita a familiares

O autor de novelas de grande sucesso da televisão brasileira morreu na noite desta terça-feira, 26, de infecção generalizada

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2021 | 10h30

RIO DE JANEIRO - Autor de algumas das novelas mais famosas da história da televisão brasileira, Gilberto Braga será velado a partir do meio-dia desta quarta-feira, 27, na capela 2 do Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio. O sepultamento está marcado para às 16h, em cerimônia restrita a familiares.

Gilberto Braga morreu na terça-feira, aos 75 anos, vítima de uma infecção generalizada, decorrente de uma perfuração no esôfago. Ele estava internado havia dias no hospital Copa Star, em Copacabana.

Formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), Braga foi crítico de teatro e cinema antes de trabalhar como autor. Ele ingressou na TV Globo em 1972, e com o passar dos anos se transformou em um dos principais autores de novela do País. Foi agraciado com o prêmio internacional Emmy por conta de Paraíso Tropical.

"O Gilberto era certamente o sonho de consumo de irmão. Era muito ligado à família, gostava muito de tradições. Sempre foi muito curioso, estudioso, inteligente, e apaixonado por cinema, por música, por cultura, por televisão", diz a irmã Rosa Maria Araujo. "Ele escrevia o que sentia, o que pensava, o que pesquisava."

Tudo o que sabemos sobre:
Gilberto Bragatelevisãotelenovela

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Morre aos 75 anos o autor de novelas Gilberto Braga

Um dos maiores nomes da teledramaturgia nacional, ele escreveu 'Vale Tudo' e 'Dancin' Days'

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2021 | 22h41

RIO - Gilberto Braga, autor de novelas famosas como Dancin’ Days (1978), Vale Tudo (1988) e Paraíso Tropical (2008), morreu nesta terça-feira, 26, no Rio de Janeiro, aos 75 anos. Ele foi vítima de uma infecção generalizada, decorrente de uma perfuração no esôfago, e estava internado havia dias no hospital Copa Star, em Copacabana (zona sul).

Braga completaria 76 anos na próxima segunda-feira, 1. Ele era casado com o decorador Edgar Moura Brasil – o casamento ocorreu em 2014, mas ele já moravam juntos havia 41 anos.

Trajetória

Formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), Braga foi crítico de teatro e cinema antes de trabalhar como autor. Ele ingressou na TV Globo em 1972, quando escreveu um Caso Verdade. A primeira novela de sua autoria é de 1974. Com a sequência de sucessos, tornou-se um dos principais autores de novelas do país. Por conta de Paraíso Tropical, foi agraciado com o prêmio internacional Emmy.

Em 1974, escreveu a novela Corrida do Ouro em coautoria com Lauro César Muniz. Essa foi uma das três parcerias da dupla, sendo as outras duas Carinhoso e Escalada.

 

Uma das características marcantes da teledramaturgia de Gilberto Braga foi a predileção por adaptações de obras clássicas.

Entre suas principais obras nesse filão, estão as adaptações dos romances Helena, de Machado de Assis, e Senhora, de José de Alencar, além, é claro, de Escrava Isaura, sucesso de 1976 inspirada no livro de Bernardo Guimarães. A novela se tornou uma das mais bem-sucedidas da teledramaturgia nacional.

Ainda na década de 1970, Gilberto Braga entrou no principal momento de sua carreira. Dancin’ Days, de 1978, marcou sua estreia no horário nobre e seu rompimento com as adaptações de obras clássicas da literatura. Curiosamente, Dancin’ Days percorreu o caminho oposto: nos anos 1980, a novela foi adaptada para um livro de uma coleção da editora Globo. 

Tudo o que sabemos sobre:
Gilberto Bragatelevisão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

'Gratidão eterna a Gilberto Braga e sua genialidade', diz Glória Pires; veja repercussão

Autor de novelas como 'Vale Tudo' e 'Celebridade' morreu na noite de terça-feira, 26, aos 75 anos

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2021 | 07h38

Gilberto Braga, autor de novelas como Dancin’ Days (1978), Vale Tudo (1988) e Celebridade (2008), morreu na noite de terça-feira, 26, aos 75 anos.

O carioca foi vítima de uma infecção generalizada, decorrente de uma perfuração no esôfago, e estava internado havia dias no hospital Copa Star, em Copacabana.

Nas redes sociais, famosos lamentaram a morte do novelista e prestaram suas homenagens ao autor de histórias marcantes da TV brasileira.

A atriz Glória Pires postou uma foto ao lado de Braga em sua conta oficial no Instagram. "Gratidão eterna a Gilberto Braga e sua genialidade. Descanse em paz, querido", disse.

A também atriz Zezé Motta relembrou momentos marcantes com o autor. "Graças a você pude viver a Sônia em Corpo a Corpo, personagem que é lembrada até hoje. Foi um divisor de águas. Em 1984, graças a você falamos de racismo em horário nobre", disse.

Camila Pitanga, que viveu Bebel na novela Paraíso Tropical, também postou sua homenagem no Twitter. "Gilberto, minha gratidão a tudo o que vivi com você e através de você, com suas palavras, sua genialidade, sua escrita inconfundível", lamentou.

Já Susana Vieira, em sua conta oficial do Instagram, disse que "perdemos mais um grande brasileiro que fazia o Brasil torcer e sonhar".

Paolla Oliveira, que trabalhou na novela Insensato Coração (2011), de Braga, lamentou afirmando que "o Brasil perde um pouco da magia de grandes personagens, vilãs icônicas e boas reflexões em frente à TV".

"E o Gilberto se foi… Um mestre, contador de histórias inesquecíveis, companheiro de muitas décadas de ofício", disse a também autora de novelas Gloria Perez em suas redes sociais.

O ator José de Abreu relembrou a parceria com o autor. "Depois de fazer Ti Ti Ti, Roberto Talma me chamou para a sala do Daniel Filho, no 8º andar do prédio da Globo na Rua Lopes Quintas. Lá me convidaram para fazer o major Dornelles na minissérie Anos Dourados. Mais um sucesso estrondoso", disse.

Deborah Evelyn também expressou sua tristeza por meio de sua conta oficial no Instagram. "Que tristeza, que tristeza, que tristeza", lamentou. "Gilberto tão querido, com quem eu ficava horassssss conversando sobre filmes, música, livros, viagens".

Marcelo Médici classificou o autor como um "mestre da teledramaturgia brasileira e mundial". "Quem teve a sorte de acompanhar ao vivo a potência de novelas como Dancing Days, Água Viva e Vale Tudo, entre outras, sabe que ele absorvia e retratava a contemporaneidade como poucos. Um verdadeiro cronista, um gênio", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Veja as principais novelas de Gilberto Braga

Autor, que morreu na terça, tratou de corrupção e criou a maior das vilãs, Odete Roitman

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2021 | 08h45

Gilberto Braga, que morreu nesta terça, 26, no Rio, aos 75 anos, foi um dos principais nomes da teledramaturgia brasileira. Fiel seguidor de Janet Clair, considerada um dos maiores nomes da novela nacional, Braga foi responsável por clássicos com Dancin' Days, Vale Tudo e Celebridade, além de minisséries como Anos Rebeldes e Anos Dourados.

Além de criar temas complexos mas, ao mesmo tempo, de fácil aceitação pelo público, Braga tratou de temas polêmicos como corrupção e relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, além de ter criado vilãs que se eternizaram, como Odete Roitman, vivida por Beatriz Segall.

Veja a lista de seus principais trabalhos:

 

Escrava Isaura (1976)

O primeiro grande sucesso de público de Gilberto Braga, adaptando o romance de Bernardo Guimarães. A nociva relação entre Leôncio (Rubens de Falco) e sua escrava preferida, Isaura (Lucélia Santos), conquistou grande audiência para o folhetim das 18h. Ainda hoje é um dos maiores sucesso internacionais da Globo, especialmente na China, onde Lucélia se tornou celebridade.

Dancin' Days (1978)

A rivalidade entre duas irmãs, a ex-presidiária Júlia Matos (Sônia Braga) e a socialite Yolanda Pratini (Joana Fomm), dominou a atenção da novela. Ao sair da prisão em liberdade condicional, Júlia tenta reconquistar o amor da filha, Marisa (Gloria Pires), que foi criada pela irmã. A grande virada de Julia se dá após voltar da Europa (ela se casou antes com um milionário), completamente mudada. A novela pegou carona na onda das discotecas e eternizou a canção tema, interpretada pelas Frenéticas.

Vale Tudo (1988)

O Brasil iniciava seu processo de redemocratização quando Gilberto Braga escreveu esse folhetim que tratava da corrupção e falta de ética, numa profunda denúncia da inversão de valores vivida no País. A discussão sobre honestidade marcava a relação entre Raquel (Regina Duarte), mulher íntegra, e sua filha, Maria de Fátima (Glória Pires), oportunista e inescrupulosa. A trama foi marcada ainda por personagens de caráter distinto, mas ganhou destaque a poderosa empresária Odete Roitman (Beatriz Segall), diretora de uma companhia aérea e cujo mistério sobre quem a assassinou alavancou a audiência. No final, o Brasil praticamente parou para saber "quem matou Odete Roitman".

 

Anos Dourados (1986)

O primeiro trabalho de Malu Mader como protagonista de uma minissérie de Gilberto Braga (que também estreava no formato), no papel de Lurdinha, que se apaixona instantaneamente por Marcos (Felipe Camargo). Ela estuda no Instituto de Educação e ele, no Colégio Militar do Rio. A família de Lurdinha, porém, não aprovam o relacionamento porque o rapaz é filho de pais separados. Além desse assunto delicado, a novela tratou também da virgindade, o que rendeu discussões na época. Sobre sua primeira minissérie, Braga dizia ser o maior sucesso profissional de sua carreira, também o de maior repercussão.

 

Anos Rebeldes (1992)

A minissérie retratava o Rio de Janeiro entre os turbulentos anos de 1964 a 1979, na figura de dois personagens: Maria Lúcia (Malu Mader), avessa à militância política, e João Alfredo (Cássio Gabus Mendes), jovem que atua no movimento estudantil. De origens tão distintas, o amor entre eles parece fadado ao fracasso. Os altos e baixos da relação têm como pano de fundo as profundas mudanças passadas pelo Brasil, desde a instauração da ditadura militar até a promulgação da Lei da Anistia, em 1979.

 

Celebridade (2003)

Novamente a rivalidade entre duas mulheres é o eixo principal da trama: Maria Clara Diniz (Malu Mader) é uma bem sucedida empresária e ex-modelo, dona da produtora Mello Diniz, o que atraia a atenção de Laura da Costa (Cláudia Abreu), mulher dissimulada e invejosa, que se aproxima de Maria Clara dizendo ser sua maior fã. Com isso, consegue emprego na empresa. Para realizar o plano de destruir a rival, Laura conta com a ajuda de Marcos (Márcio Garcia), seu amante e cúmplice. Assim como Dancin'Days foi marcada pela cena em que as irmãs trocam sopapos, aqui tornou-se célebre o momento em que Maria Clara aplica uma surra em Laura.

 

Babilônia (2015)

Um dos raros fracassos de público da carreira de Gilberto Braga, que muitos atribuíram à inesperada cena, logo no início da novela, em que Fernanda Montenegro (no papel de Teresa Petrucceli) beija sua companheira Estela Amaral, vivida por Nathalia Timberg. Políticos da ala evangélica convocaram seus aliados a boicotarem a novela. Não se sabe se foi por causa disso, mas, ao final da primeira semana, a audiência da telenovela diminuiu consideravelmente. Após a realização de grupos de discussão com telespectadores, a Globo concluiu que parte do público rejeitava a maldade, a violência e o tema da corrupção presente na trama. Com isso, a personagem Alice (Sophie Charlotte) deixou de ser uma prostituta. Mesmo assim, a audiência continuou baixa, o que encurtou a telenovela em 18 capítulos.

Veja a lista de trabalhos de Gilberto Braga na Globo

Novelas

"Corrida do Ouro" (1974)

"Helena" (1975)

"Senhora" (1975)

"Bravo!" (1975)

"Escrava Isaura" (1976)

"Dona Xepa" (1977)

"Dancin’ Days" (1978)

"Água Viva" (1980)

"Brilhante" (1981)

"Louco Amor" (1983)

"Corpo a Corpo" (1984)

"Vale Tudo" (1988)

"Rainha da Sucata" (1990) - colaboração

"Lua Cheia de Amor" (1990) - supervisão

"O Dono do Mundo" (1991)

"Pátria Minha" (1994)

"Força de um Desejo" (1999)

"Celebridade" (2003)

"Paraíso Tropical" (2007)

"Insensato Coração" (2011)

"Lado a Lado" (2012) - supervisão

"Babilônia" (2015)

Minisséries

"Anos Dourados" (1986)

"O Primo Basílio" (1988)

"A, E, I, O… Urca!" (1990) - produção musical

"Anos Rebeldes" (1992)

"Labirinto" (1998)

Outras produções

"Dama das Camélias" (1973)

"As Praias Desertas" (1973)

"O Preço de Cada Um" (1973)

"Mulher" (1974)

"Feliz na Ilusão" (1974)

Tudo o que sabemos sobre:
Gilberto Bragaminissérietelenovela

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.