Sony/Divulgação
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‘Sempre há medo do fracasso’, diz Viola Davis, protagonista de nova série de TV

Atriz de ‘How to Get Away With Murder’, que estreia no Brasil, se diz insegura em elogiado papel

João Fernando, O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 03h00

BEVERLY HILLS - Medir os batimentos cardíacos antes e depois de um episódio de How to Get Away With Murder seria a melhor maneira de traduzir como uma história mexe com o telespectador. A série, que estreia nesta quinta, 5, no Brasil, às 21h30, na Sony, impressiona pela quantidade de reviravoltas que acontecem em 45 minutos.

Produzida por Shonda Rhimes, criadora de Scandal – cuja quarta temporada vai ao ar na sequência, às 22h30, a atração mostra a trajetória da professora de Direito Penal Annalise Keating (Viola Davis) com seus novos alunos. Responsável por defender casos escabrosos, ela começa uma competição entre seus pupilos e seleciona um grupo para ajudá-la em seu escritório. 

O primeiro contato é tenso e o desenrolar da trama mais ainda: ao longo do episódio, flashbacks denunciam que os futuros advogados mataram alguém e estão tentando se livrar do corpo. Paralelamente, os estudantes recorrem a técnicas distintas para conseguir provas para mudar o rumo do processo de um cliente da protagonista cujo caráter é duvidoso.

“Ela é sexy, brilhante, manipuladora e misteriosa”, define o criador da série, Pete Nowalk. “É exatamente o que eu ia dizer”, brinca Viola Davis. A atriz diz gostar da dubiedade da personagem. “Cheguei a uma etapa da minha carreira em que vivia perguntando ao meu agente: ‘Por que não fazem papéis para atrizes negras como eu: sexy, misteriosa e confusa? Por que eu sempre tenho de fazer o que estou dizendo e fazendo? De repente, a Annalise caiu no meu colo”, conta.

Apesar de ter mais de duas décadas na profissão e indicações para o Oscar, Viola, de 49 anos, confessa ficar tensa na pele da advogada. “Sempre há momentos em que tenho dúvidas sobre qualquer coisa, pois você está sempre com medo do fracasso. Sou mãe recente. Estou sempre pensando se vou trabalhar muitas horas e se vou conseguir ver minha filha. Claro que uma parte de mim é preguiçosa e quer dormir 12 horas por dia.”

Mesmo com uma protagonista que nem sempre atua de maneira honesta, Annalise e a série tiveram boa repercussão nos EUA, onde a produção estreou em setembro. “Eu sou a pessoa que tem simpatia pelos outros. Acho que o público tem de compreendê-la, mas não se sentir como ela”, analisa. “Não há nada em comum entre nós duas, a não ser a necessidade humana básica de querer ser amada e aceita, se sentir que você é o dono do mundo”, filosofa. 

Shonda Rhimes, uma das produtoras de mais sucesso na TV norte-americana, acredita que os personagens das séries atuais impactam quando são menos idealizados. “Acho interessante quando dizem que criei um personagem complexo e mulheres fortes”, avalia ela, responsável pela Olivia (Kerry Washington), fictícia assessora da Casa Branca em Scandal. “Eu digo o contrário, acho que são fracas. Mulheres são personagens complexos, as pessoas são assim. Meu objetivo é retratar as pessoas como elas são.”

Nas gravações de How to Get Away With Murder, o elenco recebia os roteiros aos poucos, o que evitou o vazamento. O criador nega ter usado a estratégia para não estragar o final. “Adoraria entregar de uma vez, mas fomos escrevendo aos poucos. E se há pessoas interessadas em spoilers, eu me sinto grato, quer dizer que estão gostando”, disse Pete Nowalk ao Estado em conversa da imprensa internacional durante lançamento da série, no ano passado.

Ambientada na Filadélfia, a trama tem um toque tupiniquim. O britânico Alfred Enoch, que vive um dos alunos, é filho de brasileira e diz em português ter vontade de trabalhar por aqui. “Seria superdivertido. Se surgir alguma coisa, eu vou.”

O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO CANAL SONY

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