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Segunda temporada de 'Goliath' estreia na Amazon

Produção é estrelada por Billy Bob Thornton

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

14 Junho 2018 | 19h31

LOS ANGELES - Billy McBride (Billy Bob Thornton), o personagem principal da série Goliath, sabe que nem sempre a lei, a justiça e a equidade são a mesma coisa. “Ele acredita na lei porque ela é necessária. Mas quer encontrar um jeito de a lei fazer sentido para todos”, disse o ator, em entrevista exclusiva ao Estado, em Los Angeles. Na primeira temporada, que rendeu a Thornton um Globo de Ouro, Billy enfrentava o poderoso escritório de advocacia que ajudou a fundar num processo envolvendo uma gigante do complexo industrial-militar.

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Na segunda, que entra no ar nesta quinta, 15, na Amazon, precisa lidar com o assassinato de um amigo. “Esta temporada tem menos cenas no tribunal e mais de trabalho de detetive. Então saio bem mais por Los Angeles. Tem um pouco mais de film noir. É em cores, mas quase parece ser em preto e branco”, disse o ator. “Compararam a temporada anterior com O Veredicto, com Paul Newman, mas esta é como se fosse uma junção de O Veredicto com outro filme de Paul Newman, Harper - O Caçador de Aventuras, em que ele também fazia um detetive e era em Los Angeles”, conta ainda o ator.

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Billy Bob Thornton, de 62 anos, adora usar referências hollywoodianas - ele também descreve os últimos três episódios deste segundo ano como uma mescla de David Lynch e Alfred Hitchcock. Nascido e criado no Estado de Arkansas, ele mora há 38 anos em Los Angeles. Por isso, gosta de ter a cidade como personagem da série. “As pessoas vê para cá para seguir seus sonhos. Como consequência, há sonhos desfeitos, outros que se realizam, gente que tem sucesso, gente que comete suicídio porque seus sonhos não se concretizaram. A cidade é construída sobre o romance, não num sentido sexual apenas, mas o romance de estar na cidade onde os filmes foram feitos. É a cidade onde Humphrey Bogart e Lauren Bacall estiveram.” Ele adora, por exemplo, poder rodar em lugares que conhece. “Apresentá-los ao mundo é legal”, afirmou.

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Entre esses lugares está o Chez Jay, um bar em Santa Monica que Billy Bob frequentava nos anos 1980 e 1990. Na série criada por David E. Kelley (de Ally McBeal e Big Little Lies e senhor Michelle Pfeiffer desde 1993) e Jonathan Shapiro, Billy bate cartão lá todos os dias. Ele continua alcoólatra e morando no motel onde também montou seu escritório, apesar de ter comprado uma bela casa perto da praia com o dinheiro que ganhou no processo da primeira temporada. A casa, porém, é só um lugar para receber sua filha Denise (Diana Hopper), que está morando em Londres com a mãe, Michelle (Maria Bello). “Seus fantasmas o seguem por toda parte. O dinheiro nunca vai mudar isso”, disse Thornton. “Ele tem uma insegurança. Sente que, se não estiver passando fome, não vai chegar a lugar nenhum. Precisa continuar sonhando que tem de resolver esse mistério de por que a justiça e a equidade nem sempre correspondem ao que a lei diz.” Até resolver essa questão praticamente insolúvel, ele acha que não merece nada do que reconquistou, depois de cair em desgraça por causa de seu comportamento, o que o fez ser expulso do escritório que fundou e virar um advogado de porta de cadeia. “Ele está deprimido, não consegue resolver sua vida pessoal. Acho que ele é hipersensível. E eu entendo, porque também sou.”

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Ganhador do Oscar de 1997 de melhor roteiro adaptado pelo filme Na Corda Bamba (1996), o ator fez alguns personagens implacáveis no cinema, como o racista Hank Grotowski de A Última Ceia (2002), mas fala em tom suave, quase sempre olhando para baixo e sorrindo com facilidade. Apesar de o sonho de justiça para todos de Billy ser quase impossível, o ator acha que não tem como ele não continuar sonhando. “Eu cresci como músico. E quando tinha uns 8 anos, vi os Beatles no Ed Sullivan Show. E sei que nunca vou ser os Beatles, mas isso não me impede de continuar em frente e tentar ser os Beatles”, lembra Billy Bob Thornton, que já lançou quatro discos, o último em 2007, Beautiful Door, por isso, ele ama interpretar esse papel. “Porque a série é sombria, mas é esperançosa também.”

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