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Sebastião Salgado é influência em ‘Damien’

Ator da série inspirada no filme ‘A Profecia’, Bradley James elogia o trabalho do fotógrafo brasileiro

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2016 | 05h00

CIDADE DO MÉXICO - Em 1976, um menino aterrorizou o mundo. Criado pelo embaixador Robert Thorn (Gregory Peck), Damien Thorn (Harvey Stephens) revelava-se o anticristo em A Profecia, clássico do terror dirigido por Richard Donner. O anticristo está de volta, em versão adulta, na série Damien, que estreia nesta sexta-feira, 27, às 22h25, no A&E.

Produzida por Glen Mazzara (showrunner de The Walking Dead na segunda e terceira temporadas), a série traz Damien, interpretado pelo inglês Bradley James, como um fotógrafo de guerra que acaba de completar 30 anos. “Parte da motivação para ele ser um fotógrafo de guerra vem da minha admiração por Sebastião Salgado”, disse Mazzara ao Estado. “Algumas das fotos que ele fez, como a série dos garimpeiros, são bíblicas.”

A profissão de Damien faz com que ele fique em contato com a tragédia humana, sem se dar conta de seu potencial destrutivo. “Ele usa sua carreira de maneira prática, para escapar da dor”, afirmou James, que pesquisou diversos fotógrafos de guerra para compor o personagem. “Todos parecem afetados por sua experiência. Há sofrimento em seus rostos. Os mais jovens ficam empolgados, quase contam vantagem em relação ao que veem. Damien já não está contando vantagem.” 

Logo no primeiro episódio, Damien tem pistas de que, na verdade, ele é quem está causando tantas mortes. O rapaz começa a investigar e a relembrar seu passado, em que coisas estranhas aconteceram. No seu caminho, vai topar com Ann Rutledge (Barbara Hershey), poderosa empresária responsável por assegurar que cumpra seu destino. Como a maior parte dos personagens na televisão hoje em dia, Damien é um anti-herói. “A maior parte dos anti-heróis são personagens complexos que acabam fazendo coisas erradas pelas razões certas. É a mesma coisa com Damien”, disse Mazzara.

O produtor tem consciência de que pedir para o público torcer pelo anticristo é uma proposta no mínimo ousada. “É preciso se destacar na multidão. E a maneira de fazer isso é surpreendendo o espectador. Há muitas expectativas em relação a esse personagem, o que ele deveria fazer, e não estamos fazendo nada disso. Estamos dizendo que é um homem comum em circunstâncias extraordinárias, e ele está tentando encontrar uma saída”, disse. “À medida que ele comete mais atos perversos, é interessante ver se o público debate se está certo torcer por ele. Queremos uma resposta emocional, mas também que faça pensar.”

A série foi cancelada nos Estados Unidos antes mesmo da estreia no Brasil e não vai ter um segundo ano. 

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