MAURÍCIO FIDALGO/ GLOBO
MAURÍCIO FIDALGO/ GLOBO

'Se Eu Fechar os Olhos Agora' é inspirada em livro de Edney Silvestre

Débora Falabella vive mulher que sabe esconder sua sensualidade; estreia em abril

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2019 | 03h00

O suspense vai invadir a tela da Globo em abril com a estreia da minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora. Inspirada no livro homônimo do jornalista Edney Silvestre, vencedor dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura em 2010, a obra foi adaptada por Ricardo Linhares, com direção artística de Carlos Manga Jr. A história se passa no início dos anos 1960 e começa mostrando dois garotos, Paulo (João Gabriel D’Aleluia) e Eduardo (Xande Valois), encontrando, na beira do rio, o corpo da jovem Anita (Thainá Duarte). A partir daí, um emaranhado de acontecimentos vai se desenrolar, descortinando um jogo de interesses de uma sociedade que vive de aparências, é reprimida e repressora, com seus preconceitos e querendo mostrar o que não é. Conforme os meninos vão investigando o caso, acabam envolvidos em um jogo político e social, mexendo com os poderosos locais. 

Por se tratar de um livro, a adaptação não poderia seguir fielmente o texto original, explica Ricardo Linhares. Ele conta que ao conhecer Edney Silvestre, foi logo convidado por ele para adaptar uma série de contos, que ele estava para oferecer para a Globo. “Eu expliquei que isso não funciona na TV, que precisa de obras de fôlego, tendo em vista que as pessoas gostam de acompanhar histórias”, conta o autor. E foi daí que surgiu a ideia de levar para a emissora o material do romance Se Eu Fechar os Olhos Agora. Ele ficou animado e a Globo também, pedindo que eu apresentasse uma sinopse. Eu fiz isso tomando a liberdade para modificar o que achasse que precisasse, e que pudesse ter fôlego para sustentar uma minissérie de dez capítulos.”

Linhares revela detalhes de como fez a sua adaptação. “Eu criei personagens como o da Mariana Ximenez, a Adalgisa, que no livro não existe e é mulher do empresário Geraldo Bastos, vivido por Gabriel Braga Nunes, personagem que eu ampliei a participação e ainda criei uma historinha de amor adolescente”, diverte-se o autor ao falar das artimanhas para levar para a telinha essa história multifacetada. “Fui crescendo a trama, mas mantendo o universo dramático do livro, e fazendo com que aquela cidadezinha se transformasse num microcosmo do Brasil.”

O novelista, que acabou se tornando amigo de Edney, conta que o escritor não participou da adaptação, mas recebia os capítulos para que desse sua opinião. “Eu dizia ‘estou tomando muito liberdade’, mas ele entendeu que é necessário que o adaptador tenha essa liberdade, pois está mirando esse outro formato, e ele estava curioso para saber como eu construiria essas novas situações”, confessa. Por entender que o livro é calcado na palavra, na reflexão, Linhares precisou fazer essas alterações, como fez com o personagem de Antonio Fagundes, o Ubiratan. “Ele não tinha motivação para investigar os crimes, então criei uma trama que o faz se interessar pela história. Isso é importante porque na TV o espectador precisa acompanhar a trajetória de um personagem.”

“Eu fui modificando tudo que achei necessário, matei personagens, o que faz com que se tenha quase um crime por capítulo, o que vai atiçando a curiosidade do público”, diz. E ainda revela: “Quem leu o livro vai se deparar com um final diferente”. 

Do outro lado tem o autor do livro, Edney Silvestre, que se prepara para lançar um novo romance e começa falando, aqui, de inspirações. “A Anita, claro, é uma citação à atriz Anita Ekberg, mas ninguém mais sabe quem é ela”, afirma o escritor, que se diz satisfeito com a escalação do elenco. “Fiquei encantado, começando pelos dois meninos, que são ótimos, João Gabriel e Xande, e tem ainda a escolha do Fagundes, que foi um presentão”, diz. 

“Tem um monólogo dele, quando o personagem se lembra da tortura sofrida por sua mulher pela polícia de Getúlio, que é comovente. É a dor de um homem que viu sua amada ser humilhada na sua frente. Uma cena digna de Fagundes.” Em outra cena, relata sua admiração com a entrega dos jovens atores. “Vi uma sequência muito forte sendo filmada, quando o pai agride o Paulo, e eu questionei a força da interpretação e de onde aquele menino tirava aquela dor. Ele vem de uma família equilibrada, é alegre, brincalhão? Mas, também, a série conta com a direção do Manguinha. Ele sussurra no ouvido dos atores, que desabrocham, é impressionante”, afirma o escritor. 

Edney deixa claro que o fio condutor da história são os assassinatos, mas há a ramificação ao trabalhar temas que descortinam a hipocrisia da sociedade. “A minissérie consegue enfatizar detalhes do livro”, diz o escritor, que conta ainda que ficou surpreso pela produção ter encontrado uma cidade que passasse o clima do que imaginou na história. “Encontraram Catas Altas, em Minas, que estava pronta para se transformar em São Miguel. É linda”, conta, declarando ainda ter gostado bastante do cuidado com dos figurinos, assinados por Carla Monteiro. “E o que dizer da atuação de Débora Falabella num papel que a gente não a vê fazendo uma mulher sensual, mas contida? Ela leva vantagem nisso, pois ela é mineira (risos)”. 

Tudo o que sabemos sobre:
Débora Falabella

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.