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Scorsese em seu melhor nível

Cineasta assina a direção de 'Boardwalk Empire', que a HBO começa a transmitir neste domingo, às 22 horas

Luiz Carlos Merten,

17 de outubro de 2010 | 11h01

É a boa notícia para os admiradores de Martin Scorsese: ele reencontra seu melhor nível e ressurge - na TV. A HBO começa a mostrar a série Boardwalk Empire, da qual ele é diretor-geral, além de haver realizado o primeiro episódio, que vai hoje ao ar. A série está sendo definida como o acontecimento audiovisual do ano nos EUA. Embora feita para TV, possui acabamento cinematográfico impecável, com travellings vertiginosos, bem como Scorsese gosta, e aquela montagem fluida, permeada de cortes bruscos que, desde os anos 1970, faz o prestígio do diretor.

 

É verdade que, como bom produto televisivo, Boardwalk trabalha com formas mais simples e diretas de narração. Certos conflitos são esquematizados, sem perder a força nem a intensidade dramática. Isso já vem do roteiro, assinado, entre outros, por Terence Winter, que ganhou o Emmy, o Oscar da TV, por outro megassucesso da HBO, Os Sopranos. Embora seja o diretor-geral, Scorsese dividiu a condução com Allen Coulter, Tim Van Patten, Jeremy Podeswa e Alan Taylor. A produção executiva é do ator Mark Wahlberg, que foi quem atraiu o cineasta para o projeto. Ambos trabalharam juntos em Os Infiltrados, pelo qual Scorsese, depois de várias tentativas, ganhou os Oscars de melhor filme e direção.

 

Poucos são os críticos - tietes? - que se arriscam a dizer que os últimos filmes de Scorsese, todos com Leonardo DiCaprio, têm o mesmo peso de suas obras-primas com Robert De Niro. O próprio diretor de alguma forma repetiu seu colega Mike Nichols ao dizer que, na HBO, se faz hoje o cinema mais livre da ‘América’. Em Hollywood, os executivos dos estúdios controlam cada centímetro de tela e um autor tem de brigar tanto com eles que nem tem tempo de se dedicar aos projetos como deveria. Na HBO, definido e aprovado, o orçamento, a carta é branca e o corte, final.

 

O casamento cinema/TV está rendendo grandes frutos em 2010. Em Cannes, em maio, o francês Olivier Assayas apresentou a cinebiografia do terrorista Carlos e o filme, com cinco horas e meia de duração, virou o acontecimento do festival. Se tivesse participado da competição, poderia até ter levado a Palma de Ouro, roubando-a de Tio Boonmee Que Pode Se Lembrar de Suas Vidas Passadas, de Apichatpong Weerasethakul. Ambos os filmes, Carlos, na versão integral, e Tio Boonmee, integram a programação da 34ª Mostra, que começa na quinta-feira. Para ver o melhor do cinema este ano, o público terá de se antenar na produção de TV.

 

O mais interessante é que, na própria HBO, por mais forte que tenha sido considerado o piloto de Scorsese, a voz dominante é que, liberados do compromisso de apresentar os personagens e definir a situação geral, os demais diretores puderam ir ainda mais longe e Boardwalk fica cada vez melhor. Após o episódio de Scorsese, com 80 minutos de duração, irá ao ar, também hoje, o segundo. Como todos os demais, tem uma hora. A trama desenrola-se durante a Lei Seca, em Atlantic City. ‘Boardwalk’ é o passeio junto ao mar. É ali que o gângster Enoch ‘Nucky’ Thompson constrói seu império de bebida ilegal. Notórias figuras reais, como Lucky Luciano e Al Capone, participam da trama com Nucky e o antigo protegido que se volta contra ele, Jimmy Darmody. Steve Buscemi e Michael Pitt são os atores e, se você precisa de mais um estímulo, basta lembrar que Scorsese e gangsterismo têm tudo a ver. Que o digam Os Bons Companheiros e Cassino.

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