São Paulo da garoa, da fila e da desordem

A assessoria da Rede Globo procurou a coluna e informou que, na semana passada, incorri em dois erros: a audiência do seriado Guerra e Paz não apanha da concorrência e a atração não vai sair do ar antes do tempo. Vai durar o que estava previsto, cerca de 18 semanas, para alegria da leitora Eri Tanaka, fã do seriado e do Marcos Pasquim. Peço desculpas pelo engano, mas aproveito a carona pra mandar, via assessoria da Globo, um recado ao João Emanuel Carneiro. O autor de A Favorita precisa vir mais a São Paulo. Paulistano adora uma fila, mas não faz uma em ponto de ônibus, a não ser na parada inicial. Diduzinho (Fabrício Boliveira) pagou mico à toa outro dia, quando deu com a cara na porta de um coletivo. Paulista também adora jantar - à noite. Em sua primeira ida ao rancho dos Fontini, Flora (Patrícia Pillar) chegou para jantar com o sol a pino. Ou era muita fome ou ela estava no fuso horário da China. Semana de Olimpíada, sabe como é. E nem vou falar na casa da mãe Joana que é aquele aeroporto da novela, onde qualquer jornalista entra em área reservada e os passageiros embarcam com o recibo da Gol. Que vôo internacional é esse, minha gente? Já que estamos falando na Favorita... A reviravolta da história foi um golpe em muita gente, especialmente os desmemoriados e os mais jovens. Os primeiros não lembram e os segundos ignoram que Gilberto Braga e Leonor Bassères já haviam dado golpe parecido em Corpo a Corpo (1985). Na antiga novela, quando todos choravam a vida infeliz da pobre Tereza (Glória Menezes), descobria-se - no meio da trama - que a bisca havia contratado o personagem de Flávio Galvão para se fingir de diabo e infernizar a vida de Eloá e Osmar (Débora Duarte e Antonio Fagundes). A vítima virava vilã - e esquentava a novela. Se for bem contada, a história atual pode ser um golaço. Até o momento, a virada dos personagens mudou a nossa perspectiva: antes, achávamos Gonçalo um insensível; agora, vemos nele um velho tão ingênuo quanto a mulher, Irene. E a verdade está com o aposentado Pedro (Genézio de Barros, ótimo). Falta misturar histórias, embaralhar mais as figurinhas - e ajustar o termostato de Giulia Gam. Quando as outras presas estão de camiseta, Diva está de blusa de lã e gorro. Vai ser friorenta assim lá na Penitenciária. e-mail: mvianinha@hotmail.com

Mário Vianna, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2008 | 23h19

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