Divulgação
Divulgação

Sally Field diz que trama é uma tortura

Para a atriz, interpretar a mãe de um filho doente é a pior coisa do mundo

Etienne Jacintho - LOS ANGELES, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2010 | 16h00

Quando Sally Field entrou na sala em que alguns jornalistas - incluindo esta do Estado- a aguardavam, ela estava abatida. "Não estou bem", disse a atriz. "É péssimo. Odeio interpretar tudo isso. Realmente odeio." Sally estava gravando o 8º episódio desta 4ª temporada de Brothers & Sisters, em que Kitty (Flockhart) ainda lutava contra o câncer. "Quando soube do câncer, disse aos roteiristas que odiei. Odeio essa palavra. Odeio tudo", reclama a atriz, que vê Calista Flockhart passando pela sala, com a peruca que sua personagem usará durante o tratamento contra a doença. "Adoro Calista demais e claro que isso torna a interpretação mais fácil, mas nem um pouco divertida."

 

Para a atriz, interpretar a mãe de um filho doente é "a pior coisa do mundo". E esta é a segunda vez que ela tem de lidar com o problema na ficção. Em 1989, ela foi mãe de Julia Roberts no filme Flores de Aço (Steel Magnolias), que morre por causa da doença. "Odiei naquela época e odeio agora", afirma. "É muito doloroso. Sei que há muita gente no mundo lidando com isso, mas odeio interpretar, porque não é nada divertido. E sei que Calista (Flockhart) também se sente assim. É uma tortura."

 

Para a atriz, o martírio de interpretar a mãe de uma filha com câncer é pior agora, pois a situação é mais extensa e o principal tema do início desta temporada. Já Flores de Aço era um filme sobre amizade e a perda da filha revelava à personagem de Sally Field como essas amizades eram profundas. "Mas foi o inferno, pois adorava Julia (Roberts) tanto - estou falando como se ela estivesse morta (risos) - que foi doloroso. É doloroso demais para um ator interpretar isso de uma forma correta", explica a atriz, que lembra de uma cena em que Ron Rifkin, o tio Saul, senta e chora ao ver Kitty. "Você chora porque alguém que ama está sofrendo e você não sabe o que vai acontecer."

 

 

NA PELE DE NORA

A repulsa de Sally Field ao enredo deve ter antecipado a cura de Kitty. A filha republicana de Nora vai se recuperar do linfoma e até tentará uma carreira política fora da sombra do Senador McCallister (Rob Lowe) ainda nesta temporada, para alegria de Nora e de sua intérprete, que afirma ser impossível simplesmente desligar o botão e esquecer as cenas pesadas. Para tentar relaxar após um dia de gravação, Sally apela para a televisão.

 

"Gravo muita coisa que passa na TV, mas tenho a tendência de assistir ao canal TCM. Ponho algum filme em preto e branco para não relacionar com nada que acontece na minha vida cotidiana", conta a atriz. Ela também diz que gosta de sair com o elenco da série, apesar de os encontros não serem tão frequentes, pois o ritmo de gravações é pesado. "Estamos sempre exaustos", fala.

 

Como não acompanha sempre as filmagens de atores com quem não está contracenando, Sally Field diz que, às vezes, assiste aos episódios de Brothers & Sisters em casa. "Não suporto me ver na tela, mas só assim posso ver o que os outros atores estão fazendo e sempre me surpreendo", comenta. "É bom porque fico por dentro do trabalho de todos e posso dizer: ‘Amei aquela cena que você fez.’"

 

Além de não gostar de ver seu trabalho na telinha, Sally Field diz que não consegue falar muito de Nora Walker. "Estou muito próxima de Nora para falar sobre ela", explica. "Ficaria parecendo que estou fazendo fofoca sobre Nora. Não sei o que dizer, só que gosto de ser ela." O único detalhe que Sally Field critica em sua personagem é a obsessão pelos arranjos florais. "Eles são realmente horríveis", brinca a atriz.

 

 

TOM DE NOVELA

Sally Field não vê problema algum em chamar Brothers & Sisters de novela. "Não há diferença (entre uma novela e a série). É um melodrama, um melodrama com sequência. E isso é uma coisa boa", diz a atriz, que tem uma boa definição para a série: melodrama seriado com comédia. "Mas é muito mais baseado em relações humanas", afirma. "É uma realidade aumentada. Há mais coisas acontecendo na série que na sua família. Mas, se você parar para pensar no que foi o ano para sua família, lembrará de uma grande briga ou de uma coisa ou outra que aconteceu. A vida é cheia de eventos." E.J.

 

Viagem feita a convite do Universal Channel e da Disney

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.