Acervo Estadão
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Saiba quem foi Domitila de Castro, amante de D. Pedro I

Um dos personagens de maior sucesso da novela 'Novo Mundo', a Marquesa de Santos era muito avançada para a época

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2020 | 14h33

Um dos personagens de maior sucesso da novela Novo Mundo, que a Globo reprisa às 18h, é Domitila de Castro Canto e Melo, conhecida como a Marquesa de Santos. Interpretada pela atriz Agatha Moreira, Domitila tornou-se famosa na história do Brasil por ser uma das amantes de D. Pedro I.

Domitila de Castro Canto e Melo nasceu em 27 de dezembro de 1797, em São Paulo. Filha do Visconde João de Castro Canto e Melo, casou-se aos 15 anos com o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça, de quem sofreu diversas formas de violência.

Aos 19 anos, Domitila se separou do marido agressivo e voltou para a casa dos pais com dois de seus três filhos. O casamento foi reatado em 1818, quando seu marido consegue transferência para o posto do exército em Santos. Mas, em pouco tempo, retoma os  vícios do álcool e dos  jogos de azar e, consequentemente, volta a ser violento com a esposa.

Em março de 1819, Domitila foi atacada por Felício em praça pública: o alferes a atacou com uma faca acertando dois golpes, um na barriga e outro na coxa. Seu marido foi preso e a futura Marquesa de Santos ficou entre a vida e a morte por dois meses.

Mesmo com a juventude muito conturbada, Domitila ficou conhecida por protagonizar um dos maiores casos extraconjugais da história brasileira, ao se envolver com o Imperador Dom Pedro I em 1822, na época, casado com a Princesa Leopoldina.

Leopoldina era um exemplo perfeito de esposa para aquela época, educada, dedicada ao casamento e obediente ao marido. Já Domitila ficou conhecida com a amante favorita do Imperador, que a colocou como dama de companhia de Leopoldina, em 4 de abril de 1825. Poucos depois, em outubro, recebeu o título de Viscondessa de Santos e, no ano seguinte, torna-se Marquesa de Santos.

Dom Pedro I revelou-se um marido infiel, e a fama de suas aventuras amorosas atravessou os oceanos, a ponto de horrorizar as cortes europeias. Com isso, diversas princesas se recusaram a casar com ele após a morte da Princesa Leopoldina.

Dom Pedro e Domitila romperam em 1829, o que foi praticamente uma exigência para que D. Pedro  pudesse se casar a futura Imperatriz Amélia de Leuchtenberg.

Segundo a historiadora Maria Aparecida Lomonaco, a Marquesa de Santos teve enorme importância para a mudança de hábito dos moradores da capital paulista. “Ela foi muito marcante, pois se vestia como uma mulher da corte e transformou o cotidiano da cidade”, explicou em entrevista ao Estadão em 2001.

Um dos hábitos mais inusitados era o fato de fumar na janela de sua casa. “Era muito avançada para a época.” Outro dado interessante está no fato de ter morado com mais de cem pessoas. “Eram escravos, empregados e parentes, que ficavam no primeiro pavimento do casarão”, relata Maria Aparecida.

A marquesa promoveu inúmeros saraus em seu casarão, depois de rompida a relação com D. Pedro. Um dos frequentadores assíduos era o poeta Álvares de Azevedo, que descreveu algumas festas em suas cartas. Domitila também fez trabalho voluntário com a comunidade carente da região.

Morreu de enterocolite, na sua casa, atual Rua Roberto Simonsen, próxima ao Pátio do Colégio, em 3 de novembro de 1867. Seu corpo foi sepultado no Cemitério da Consolação.

 

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