Saddam, cara de israelense

O melhor da minissérie "A Casa de Saddam" (HBO, em vários horários a conferir) é a ironia ácida do elenco: entre palestinos e árabes, o escolhido pelo diretor Alex Holmes para interpretar o abominável líder do Iraque é um ator israelense, Yigal Naor. E que baita trabalho ele faz, distinto público. Sua pesquisa para o personagem é um exercício de reencarnação: o maneirismo e o estilo sinistro estão lá sem excessos e nem caricatura. O Saddam de Yigal é aterrorizante. Mas há problemas, que pena. Os quatro capítulos originais viraram dois. O primeiro é rico e detalhista. O segundo passa a impressão de que o dinheiro da produção acabou e Alex decidiu terminar a obra inter-femures para atender aos estúdios. Grande parte do episódio se passa no refúgio final do ditador: uma cabana e um buraco na margem do rio Tigre, com três guarda-costas. Como se sabe, o esconderijo caiu. Do momento da prisão, a ação salta para o enforcamento. Qual é o recurso para poupar os assinantes que têm estômago de menininha? O som do patíbulo, sem imagem. Já era saída velha na época do terror de Vincent Price (corram à internet, corram). De qualquer forma, vale assistir. O registro histórico está lá. E não é ruim, só é apressado Salvador, hoje, às 22h no Cult salva a chatice do feriadão.

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