Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Rodrigo Lombardi volta ao horário das 9 na novela ‘A Força do Querer’

O ator já foi de mocinho a vilão em tramas da Globo

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2017 | 05h00

Rodrigo Lombardi é um homem de múltiplas facetas dentro e fora da TV. Antes do sucesso como ator, foi jogador de vôlei, garçom, contrarregra de teatro, assistente de iluminação. Na televisão, ele já viveu de mocinho a vilão – e, não faz muito tempo, encarou essa transição num curto espaço de tempo, ao sair da novela Verdades Secretas e entrar na primeira fase de outra novela, Velho Chico. Agora, o ator está de volta ao horário nobre, na nova trama das 9, A Força do Querer, de Gloria Perez, que estreia na Globo, nesta segunda, 3, no papel de Caio, um advogado ético. 

Substituta de A Lei do Amor, que patinou na trama, A Força do Querer é um folhetim marcado por encontros e desencontros, ao sabor dos textos assinados por Gloria. No caso de Caio, o campo amoroso afeta sua trajetória profissional. Prestes a se casar com Bibi, personagem de Juliana Paes, o grande amor da vida de Caio desiste do relacionamento. “O dois estão em movimentos diferentes. Ele já está programando a vida dele lá pra frente. Naquele momento, ele é mais cartesiano, pensa de uma maneira mais planejada. E ela, não: quer esse turbilhão de emoções. Por ela, só viveria de amor, quer que seja um casamento eternamente nessa temperatura, nessa frequência máxima”, explica Rodrigo Lombardi, em entrevista ao Estado, por telefone, do Rio. 

Após a ruptura, que ocorre logo no primeiro capítulo, a vida de Caio passa por uma reviravolta. Ele, que estava sendo preparado para ser presidente de uma das maiores empresas do País, a Garcia, larga tudo e vai morar nos EUA. “Quando ele termina com a Bibi, ele já nega tudo isso, fala na empresa que não quer assumir coisa nenhuma, vai para os EUA, volta advogado, se especializou em segurança pública, começa a dar palestra sobre isso”, conta. 

“O caminho dele nos negócios era uma forma de crescer aos olhos da Bibi, essa era a forma dele de mostrar esse amor. E, quando foi para os EUA, ele viu realmente que tudo que estava fazendo era para ela, não era para ele. Então, ele volta com uma vida completamente diferente”, completa o ator paulistano, de 40 anos. Caio retorna ao Brasil 15 anos depois, e chega para explicar os motivos de sua partida – e para inevitáveis resgates e tensos reencontros, como com a ex-namorada. “Cada vez que eles se encontram, é uma faísca que rola, é um jogando no outro aquele momento em que eles terminaram.” Nesse período em que Caio viveu no exterior, Bibi, que não conseguiu terminar a faculdade de Direito, se casou com o traficante de drogas Rubinho (Emílio Dantas), entra para o crime e vira uma espécie de baronesa do pó. 

Amizade

A Força do Querer marca dois reencontros de Rodrigo Lombardi na teledramaturgia: com a autora Gloria Perez e com a atriz Juliana Paes. O ator ganhou seu primeiro protagonista numa novela de Gloria, Caminho das Índias, em 2009, no papel de Raj, e, três anos depois, em Salve Jorge, também da autora, viveu outro protagonista, o capitão da cavalaria Théo. “A Gloria é uma autora que pensa muito no movimento do mundo. Os problemas, os conflitos que ela traz para as obras dela são conflitos que não estão ecoando pelo mundo ainda, que vão ecoar daqui a pouquinho”, diz. “A preocupação que tenho como ator é de encaminhar essa história. É sempre muito bom poder estar engajado, eu adoro.”

A parceria dele com Juliana Paes em Caminho das Índias também foi marcante, a ponto de o público se lembrar daquele par romântico até hoje, mas eles já contracenaram outras vezes. Este é o quinto trabalho dos dois juntos, ressalta Rodrigo. Teve ainda Pé na Jaca (2006), O Astro (2011) e Meu Pedacinho de Chão (2014). “Acho que ela foi a atriz com quem mais eu contracenei.” E essa sintonia de anos se reflete no set de gravação. “Um já sabe mais ou menos o movimento do outro. É bom porque a gente tem um humor parecido. A gente entende quando um está de bom humor e o outro não está, ou os dois estão de bom humor, ou até quando os dois não estão. Isso é muito importante para o andamento do trabalho. A gente se conhece de uma maneira que um não precisa ficar com dedos para falar com o outro.”

De volta a Caminho das Índias, Rodrigo vê na novela, de fato, uma oportunidade importante que teve na carreira, mas diz ter conquistado outros momentos assim. “Não posso dizer que (a novela) foi um divisor de águas na minha vida só porque foi onde eu apareci para o grande público. Tenho trabalhos que são mais importantes para mim. Não estou dizendo que esse não tenha sido importante. Foi muito, e foi um trabalho em que pude colocar um pouco a minha marca.”

E, nesse rol de personagens fundamentais em sua trajetória, certamente estão Alexandre, de Verdades Secretas (2015), e Capitão Ernesto Rosa, de Velho Chico (2016) – um vilão e um homem idealista interpretados praticamente um em seguida do outro. “Desenvolver esse tipo de caráter num intervalo tão pequeno faz esses dois momentos serem especiais para mim realmente”, conta. “Quando fui convidado para fazer Verdades Secretas, o Maurinho Mendonça (diretor) me disse: não tenha medo de ser odiado. Os capítulos vão chegar, os diálogos são ótimos, mas ele é feito para você ser odiado. Então, seja o mais odiado possível. E foi uma surpresa quando esse personagem dividiu opiniões.”

E, quando fala de Capitão Ernesto, o tom de voz de Rodrigo muda, como se sentisse saudade de um lugar bom. “Se o processo de Verdades Secretas parecia um exercício constante de teatro, Velho Chico, de fato, tinha como proposta ser um exercício constante. O trabalho de Luiz Fernando (Carvalho) é todo baseado no palco ou no teatro de rua. Nossa preparação é suave, prazerosa, é no amor. Você se torna uma outra pessoa naquele processo.” 

Rodrigo lembra do amigo Domingos Montagner, que fazia parte de uma outra fase de Velho Chico e morreu afogado, no intervalo de gravação da novela. “A gente se encontrava toda quinta-feira para bater papo, a gente tinha um grupinho.” Domingos estava escalado para viver o personagem Adriano, na série Carcereiros. Rodrigo o substituiu. A produção deve estrear em 2018. “Quando fiquei sabendo de Carcereiros, eu tinha recém-acabado de fazer um longa (O Olho e a Faca), que se passava numa plataforma de petróleo. Falei: poxa, que bacana, Domingão vai arrebentar. Acabamos o longa, saí em férias, aconteceu tudo isso, aí entrei na série, dirigida pelo (José Eduardo) Belmonte, que é um cara de uma sutileza tamanha. Caí nesse processo numa terça e, na quinta, eu estava gravando. Então, o personagem nasceu durante a gravação. O Belmonte foi um lorde comigo nesse sentido, confiou em mim, me integrei. Talvez eu tenha ali um dos meus melhores trabalhos.”

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