Estevam Avellar/Divulgação
Estevam Avellar/Divulgação

Ricardo Pereira: 'Nada na minha vida é sem formação. Gosto de estudar'

Protagonista da novela 'Aquele Beijo', o ator português fala de sua trajetória, do assédio das fãs e de sua vida no Brasil

Aline Nunes, Jornal da Tarde

05 de dezembro de 2011 | 10h05

Na infância, vivida em Lisboa, Portugal, Ricardo Pereira, de 32 anos, sentava-se em frente à TV e assistia à novela Roque Santeiro (1985), pensando como seria contracenar com aqueles atores brasileiros. Mas a imaginação de criança virou realidade. Depois de rodar o mundo como modelo e se formar em Psicologia, Ricardo foi se dedicar ao teatro. Na TV portuguesa, emplacou 12 novelas, e, em 2004, chamou a atenção da Globo e ganhou o papel de galã em Como Uma Onda. Ao JT, ele fala dessa trajetória e do filho (de seu relacionamento com a também portuguesa Francisca Pinto, de 27), que nasceu no último dia 23 e recebeu o nome de Vicente, em homenagem ao personagem que o ator interpreta na novela das 7 Aquele Beijo.

Você acabou de se tornar pai e batizou seu filho de Vicente. Foi homenagem ao personagem?

Foi sim, mas também porque descobrimos que ela estava grávida na clínica São Vicente, no Rio. Então, foi uma série de coincidências, incluindo o Vicente, meu segundo protagonista com o Miguel Falabella (o outro foi em Negócio da China, de 2008).

Falando em protagonista, como é o assédio do público?

Aqui no Brasil, é o meu terceiro protagonista (Como Uma Onda, em 2004; Negócio da China, em 2008; e o atual). Existe, sim, um peso extra, porque você carrega mais a novela, mas sempre fui bem aceito pelo público. Talvez porque, em Como Uma Onda, era a primeira vez que a Globo tinha um protagonista não brasileiro. Isso chamou a atenção do público e me aproximou dele. Poderia ter sido o contrário, mas não, tanto que eu nunca mais saí daqui.

Mas você tinha uma carreira sólida em Portugal. O que fez você vir para cá de mala e cuia?

Então, o fato de estar aqui não atrapalha minha carreira em Portugal ou no resto do mundo. A diferença é que moro no Rio e antes morava em Lisboa. Sou contratado da Globo a longo prazo, o que é bom para mim. Mas continuo em Portugal. No ano passado, participei de um longa e fiz a novela Laços de Sangue (que venceu o último Emmy). Então, continuo lá.

Por acaso, esse interesse pelo Brasil surgiu assistindo, em Portugal, a alguma novela daqui?

Desde sempre, em Portugal, víamos as novelas brasileiras. E pô, a gente fala tudo a mesma língua, né? Lembro que gostava muito de Roque Santeiro (1985), me deixou referência, me deu vontade de fazer novela. Mais tarde, comecei a trabalhar como modelo, viajei o mundo inteiro, fiz faculdade de Psicologia e, no final, gostei foi de fazer teatro. Ali começou minha carreira. Depois, quando já fazia novelas lá, surgiu um teste para fazer Esperança (2002), mas daí veio um amigo meu. Mas o meu material ficou guardado na TV Globo. Então, depois, fui chamado em Como Uma Onda.

Que lugares foram esses que você conheceu como modelo?

Morei em Milão, Frankfurt, Nova York, Barcelona, Madri e Lisboa. Isso foi ótimo para minha vivência como ator.

O que levou você sair da carreira de modelo para a Psicologia?

Adoro Psicologia, sou viciado no comportamento humano. Ao mesmo tempo, veio o teatro, que passei a amar…

E como passou a amar o teatro?

Eu já fazia parte do grupo de teatro da escola. Daí, quando rodei o mundo como modelo, recebi vários convites para televisão. Vi que eu precisava de uma formação para poder aceitar o convite de apresentador e ator. Aos 18 anos, fui encarar o teatro. Nada na minha vida é sem formação. Gosto de estudar, de me preparar para o trabalho.

O fato de ter saído de casa cedo facilitou na mudança para o Rio?

Sim. Eu saí de casa muito cedo (com 15 anos), porque escolhi ter a minha independência financeira. Mas tenho uma relação muito bacana com meus pais. Eles são os meus ídolos, os meus grandes amigos. Foi importante sair de casa. Eu me sinto orgulhoso de ter uma carreira que foi construída de forma honesta. O mundo da moda estava cheio de modelos tentando se dar bem, sabe? Isso só me fez mais forte. Hoje, estou aqui no Brasil, inserido no mercado, junto da minha namorada.

Francisca também é atriz? Como ela enxerga o assédio das fãs?

Ela não é atriz. Trabalha com leilões de arte, da empresa do pai dela, que é de Portugal. Ela veio para cá representá-lo. Mas o assédio, ela encara bem, estamos juntos faz tempo. Somos muito companheiros. E, para o ator, estabilidade pessoal é bem essencial. Às vezes, ela até assisti à novela comigo ou a grava para mim.

O filho de vocês também será um ‘portucarioca’?

Sim! Achamos legal homenagear o País e deixar o filho de dois portugueses nascer aqui. Sou um apaixonado pelo Rio, gosto dessa vida de areia, descontraída.

Qual time daqui escolheu para ser seu e que passará para ele?

Espero que ele seja um flamenguista. Espero influenciá-lo de todas as maneiras possíveis (risos).

Na Copa, vai torcer para o Brasil ou Portugal?

Eu quero, sem dúvida, que Portugal e Brasil cheguem bem longe e que ganhe o melhor (risos).

Você repete que ama o Brasil. O que conhece além do Rio?

Só não conheço os Lençóis Maranhenses e Fernando de Noronha. Amo a Amazônia, Salvador, que é o coração da verdade do Brasil, a Paraíba… Amo tudo!

Como você encara quando escuta uma piada de português?

É engraçado que português não faz piada de brasileiro. Acho bacana que o brasileiro prefira contar a piada e perder o amigo a perder a piada. Mas encaro bem, sou brincalhão. Só sou sério no trabalho.

Sério e, pelo visto, metódico…

Estudo muito, porque tenho gravado com o sotaque de português do Brasil. Sou virginiano, então, respeito muito o trabalho. Sou brincalhão, mas trabalho é trabalho e conhaque é conhaque.

Você tem feito fono para perder o sotaque?

Sim, desde Insensato Coração que gravo com sotaque daqui. É um trabalho difícil, porque tenho de ter essa abertura para me desprender da minha língua materna. Para isso, vejo muito filme dublado, leio os textos em voz alta…

Mas quando você está fora do ar, também fala sem sotaque?

No dia a dia, falo com sotaque. Não o perdi, só o guardei.

Você e a Francisca vão manter esse hábito com o Vicente?

O bebê vai aprender isso da maneira mais natural possível. Tenho amigos portugueses cujos filhos são brasileiros e acabaram falando dos dois jeitos. Só quero que ele faça o dobro de viagens que eu fiz. Isso fortalece.

Você busca forças em algum santo português?

Sou católico, batizado, me casei na Igreja e gosto muito de Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora da Conceição. Mas entrei na religião da minha maneira, do meu jeito.

Da sua maneira? Como? Em nenhum momento, se apegou mais à religião por algum motivo?

Eu me apego sempre à religião, todo dia. Tenho a minha forma de falar com Deus, que é particular. Não sei se é boa ou má, se está certa ou errada, mas até hoje tenho conseguido me comunicar do meu jeito e tenho sido feliz.

Tudo o que sabemos sobre:
Ricardo PereiraAquele Beijo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.