Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Retrospectiva 2019: Indústria da TV e do streaming iniciou reorganização

Chegada ao mercado de concorrentes de peso da Netflix, como o Disney+ e o Apple TV+, apenas começou o que devem ser as maiores mudanças do mercado em muitos anos

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2019 | 16h08

O ano de 2019 será lembrado como o ano em que a Netflix começou a ter motivos para se preocupar. A “guerra do streaming” ganhou concorrentes sérios, primeiro no mercado americano: o Disney+ e a Apple TV+ começaram a operar em alguns países, com catálogos extensos e respeitáveis (no caso da Disney) e produções originais potentes, tirando o sossego da gigante “natural” do streaming — que também consolidou esse ano um ritmo frenético de produções originais, novas, renovadas e (muitas) canceladas.

Vai ser curioso acompanhar como o movimento das placas tectônicas no mercado do entretenimento vai recompensar a estratégia da Netflix: ao contrário de outras produtoras de conteúdo para TV, como HBO e canais como AMC e Fox, a empresa de streaming mantém uma linha de corte mais frouxa quando o assunto é qualidade das suas produções originais. Uma prova disso é o imenso volume de séries canceladas ano a ano (foram pelo menos 20 em 2019).

Bastou menos de dois meses para a Disney acumular cerca de 40 milhões de usuários assinantes dos seus serviços de streaming (além do Plus, Hulu e ESPN+), contra os 60 milhões da Netflix, líder do setor — tudo isso nos EUA. “Disney+” também foi o termo mais pesquisado no Google no ano por lá. O custo mensal do serviço é de US$ 7, contra US$ 9,90 da principal concorrente.

A Disney, hoje em dia, é mais do que clássicos como Cinderela e Mary Poppins. A franquia Star Wars, o universo Marvel, o estúdio de animação Pixar, o canal de documentários National Geographic e as 31 temporadas de Os Simpsons são algumas das atrações irresistíveis da empresa no streaming. O Disney+ chega ao Brasil em 2020, mas ainda não há informações oficiais sobre data e preços.

Já a Apple parece ter optado por uma opção “mais HBO”, ou seja, catálogo mais enxuto com produções originais em menor volume, mas buscando maior qualidade — uma das séries do serviço, The Morning Show, com Jennifer Aniston e Steve Carrell, teve excelente repercussão crítica nos EUA. Disponível no Brasil desde novembro, ao preço de R$ 9,90, o serviço começou com quatro dramas, três infantis e uma série documental de natureza – um número econômico.

Um concorrente anunciado em 2019, mas com estreia prevista para maio de 2020 nos EUA, é o HBO Max, novo serviço da emissora em substituição ao HBO Go. O Max vai passar a exibir também o conteúdo da Warner. Ao catálogo poderoso do HBO (Sopranos, The Wire, Game of Thrones e muitas outras) se somarão produções queridas como Friends, Doctor Who e South Park, e obras da DC Comics, como, muito provavelmente, Coringa. No Brasil, porém, a expectativa é que o serviço só chegue em 2021.

Também estreia em 2020, primeiro na América do Norte, o Peacock, plataforma da NBCUniversal (séries como The Office, Parks and Recreation e produções originais farão parte do serviço).

O ano de 2019, portanto, foi apenas o início do que é até agora a maior transformação na indústria do streaming desde que a Netflix se tornou o que é.

O aumento da concorrência pode levar a indústria a encruzilhadas já atingidas, no passado, pela indústria da música, por exemplo. Com tantas opções de serviços — e um orçamento limitado do consumidor, estimado nos EUA em não mais do que US$ 70 por mês — é possível que a pirataria e o compartilhamento ilegal de arquivos volte a ser uma opção preferida pelos internautas? Questões como essa deverão ser enfrentadas pelas empresas em 2020.

No Brasil, a Globo, como parte de sua reestruturação ainda em andamento, dá cada vez mais importância ao Globoplay, que já é o maior serviço de streaming nacional, com toda a programação da TV e boa parte do conteúdo da Globosat. Segundo a emissora, são 22 milhões de usuários mensais. O serviço anunciou 16 novas produções originais para 2020. Entre as novidades, estão as séries inéditas Desalma, com Cássia Kis e Cláudia Abreu, Onde Está Meu Coração, com Letícia Colin e Fábio Assunção, e As Five, spin-off de Malhação.

Algumas gigantes do streaming também anunciaram seus planos para o Brasil em 2020. A Netflix prometeu investir R$ 350 milhões em 30 produções originais, entre o final de 2019 e 2020. A Amazon Prime Video afirmou que vai lançar seis produções brasileiras nos próximos 12 meses.

O ano também foi de consolidação para o trabalho de Marcius Melhem no humor da Globo. Há 15 anos na emissora, Melhem assumiu a chefia do setor no fim de 2018, e liderou a produção de programas como o Tá no Ar e o Choque de Cultura Show, que somou à sua presença na internet as tardes no fim da semana da emissora.

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