Resgatar é preciso

Resgatar é preciso

OLHAR SOBRE A GUERRA: ‘The Pacific’, que estreia neste domingo, 11, às 22h, na HBO, conta as histórias de três soldados americanos no pós-Pearl Harbor

Fábio M. Barreto, especial para O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2010 | 16h00

LOS ANGELES - O ataque japonês a Pearl Harbor não só marcou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, como iniciou um dos conflitos mais cruéis e renegados da Humanidade: a Guerra do Pacífico. Tabu para a maioria de seus veteranos e foco pouco explorado, o conflito ganha exposição com a estreia de The Pacific, minissérie da HBO produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks - a mesma dupla de Band of Brothers -, que estreia hoje, às 22 horas, na HBO.

 

The Pacific é o contraponto ao romantismo das produções sobre a guerra na Europa. Como disse Tom Hanks, "os soldados que embarcavam para a Europa sabiam mais ou menos o que iam encontrar", "Ir para o Pacífico era ir para um mistério, para um ponto de interrogação, para um lugar aonde eles nunca tinham ido antes e que nunca tinham imaginado", continua o coprodutor da série. "Por isso, o que esses homens viveram e como eles voltaram de lá é muito diferente".

 

Nas palavras de Spielberg, "mais difícil do que o combate e do que as perdas foram as condições que estes jovens enfrentaram: o abatimento, o tédio, a chuva incessante, o barro, os insetos, a malária." "Ao contrário dos campos da Holanda ou da França, as selvas não têm cara, elas são um organismo onipresente. A selva matou muitos bons soldados durante a guerra e na nossa produção ela é uma paisagem de Hieronymus Bosch", completa.

 

A última abordagem militar relevante da guerra no Pacífico foi em 1998, com Além da Linha Vermelha, filme de Terrence Malick. Clint Eastwood optou pela crítica social na dobradinha A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima.

 

Com trilha sonora de Hans Zimmer e equipe envolvida em Band of Brothers - que retrata a trajetória dos paraquedistas do Dia D até a liberação dos campos de concentração na Alemanha -, The Pacific cumpre sua meta. Seja pelo intelectual Robert Leckie ou pelo idealista Eugene Sledge, o espectador tem contato com aquela realidade. O heroísmo também tem vez com John Basilone [JON SEDA], um dos maiores ícones dos fuzileiros navais e base para o personagem Rambo: três homens, três histórias, uma guerra.

 

A abertura da minissérie resume o objetivo: uma simples linha riscada por um grafite dá origem a uma complexa pintura, que depois volta a ser um simples traçado. "Tom Hanks teve essa ideia depois de ver desenhos de época, então, imaginamos esse paralelo com o conceito da série: homens simples envolvidos em algo grandioso, mas que precisam voltar às suas vidas normais depois de anos de conflito", comenta o produtor Tony To em entrevista ao Estado.

 

"É uma jornada pouco compreendida pelo povo americano à época do conflito, desprovido de um inimigo emblemático como Hitler foi no conflito da Europa e capaz de abordar os dilemas de qualquer ser humano afetado pela guerra."

 

Para o roteirista Bruce McKenna, tudo é questão de preço. "Muitos filmes ou séries de guerra focam numa batalha e no enaltecimento de seus heróis. Spielberg pediu outro foco: qual é o preço pago por esses homens para vencer a Guerra? Valeu a pena?", fala Bruce. "É justamente esse arco que nos mostra, por exemplo, algumas das razões que motivaram os bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki."

 

The Pacific é um mergulho nesse momento histórico. "Até o primeiro dia de trabalho pensava ser um ator preparado para qualquer experiência, mas descobri que enfrentar todo aquele cansaço e o desgaste físico estava além de qualquer expectativa", avalia James Badge Dale, que interpreta Robert Leckie, autor do livro Helmet for My Pillow, um dos materiais que serviram de base para a série. "Meu despreparo servia tanto para o esforço individual quanto para a compreensão sobre a realidade da guerra."

 

Apresentando apenas o ponto de vista desses três membros do Primeiro Corpo de Fuzileiros Navais, responsável pela ofensiva contra o Exército Imperial Japonês, The Pacific inicia sua jornada no desembarque em Guadalcanal, passa por diversos combates, entre eles Iwo Jima, e tem sua conclusão na extenuante volta para casa. É hora de responder à grande pergunta: qual foi o preço pago pela vitória?

 

O valor moral e sentimental para os soldados é incalculável. Já no quesito produção, a série representa o maior investimento da TV mundial. Com orçamento de US$ 230 milhões, The Pacific estreou nos EUA para uma plateia de 3,1 milhões de pessoas. Cenários foram recriados na Austrália, uma praia inteira foi desmatada, chamuscada, bombardeada, e totalmente reconstruída. "Tivemos de convencer sete entidades ambientais de que recuperaríamos a área", conta Tony To. "Houve grande senso de responsabilidade, respeito e honra nessa produção, que não é um documentário, mas tem pouquíssimos elementos fictícios."

 

NÚMEROS

 

10 CAPÍTULOS compõem a minissérie de Tom Hanks e Steven Spielberg

 

82 ATORES vivem soldados americanos e japoneses. Todos passaram por um treinamento de 10 dias

 

230 MILHÕES DE DÓLARES foi o custo da produção que reproduz a Guerra do Pacífico

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.