Facebook/Jair Bolsonaro
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Regina Duarte se destacou nos últimos anos por manifestações pontuais, mas marcantes, na política

Alinhada à direita, a 'namoradinha do Brasil', como também ficou conhecida, recebeu de Bolsonaro o convite para cuidar da área cultural do País

DANIEL FERNANDES, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2020 | 12h00

Atriz marcada por personagens inesquecíveis da teledramaturgia brasileira, como a Raquel de Vale Tudo e a Viúva Porcina de Roque Santeiro, e sem atuar desde 2017, Regina Duarte se notabilizou nos últimos anos por manifestações pontuais, mas marcantes, na política nacional.

A secretária de Cultura em teste do governo Jair Bolsonaro ganhou notoriedade no debate político durante a campanha que elegeria Luiz Inácio Lula da Silva pela primeira vez, em 2002. A atriz gravou um vídeo em que admitia ter medo de um governo petista por temer a perda de estabilidade conquistada pelos governos tucanos. Lula venceria aquela eleição ao acenar, justamente, para aqueles que tinham medo. 

Mais recentemente, já com Lula preso, em 2018, a atriz voltou à cena em outra corrida presidencial ao afirmar que a “homofobia de Bolsonaro é da boca para fora”


Alinhada à direita, a “namoradinha do Brasil”, como também ficou conhecida, recebeu justamente de Bolsonaro o convite para cuidar da área cultural do País. Demonstrando uma habilidade política incomum para artistas, saiu-se com essa: vai testar Brasília e ver se o noivado com o poder engata um casamento duradouro.

Essa habilidade inicial será colocada à prova já nos primeiros dias, pelo menos a julgar pelos pedidos da classe artística. Se não há com Regina Duarte o medo despertado pelos atos e posturas do ex-secretário Roberto Alvim, existe a desconfiança, o pé atrás. Nelson Motta foi quem deu o tom: “Duvido que Bolsonaro lhe dê autonomia. Mas... vai que dá?”


Para Entender

Conheça a trajetória de Regina Duarte, nova secretária de Cultura

Contratada da TV Globo desde 1969 e colega de Rita Lee na juventude, atriz participou de várias novelas de sucesso


Com o virtual sim desta segunda-feira, a trajetória de 50 anos de Regina na TV Globo chegará ao fim– a emissora avisou que seu contrato será suspenso em caso de ida para o governo. Colega de Rita Lee na faculdade de Comunicação da USP, seu primeiro papel em novelas foi em A Deusa Vencida (1965), de Ivani Ribeiro, na extinta TV Excelsior. Depois, foi para a TV Globo ser protagonista da novela Véu de Noiva, escrita por Janete Clair. Em 1979, ganharia protagonismo nacional com Malu Mulher, uma série em que vivia uma mulher que acabara de se divorciar e, por isso, enfrentava os preconceitos da época.

Em 1985, fez um de seus papéis mais icônicos: a extravagante Viúva Porcina de Roque Santeiro. A novela fora proibida pela censura dez anos antes. Betty Faria, escalada para ser Porcina em 1975, não quis mais. Regina aceitou, e o papel lhe marcou a vida. O desafio agora parece substancialmente maior. Mas... vai que dá? 

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