Record volta à escravidão com toque de humor
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Record volta à escravidão com toque de humor

Novela 'Escrava Mãe’ narra trajetória da mãe de Isaura, com respiro de comédia para a faixa das 19h: estreia terça

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2016 | 06h00

Ao apresentar à imprensa a novela 'Escrava Mãe', que se dispõe a narrar a trajetória da mãe de Isaura, a Record fez questão de mostrar que o assunto, embora árido, não inibirá espaço para comédia. Não vamos rir dos negros sendo açoitados, claro, mas a ala dos novos ricos, entre os brancos da colônia portuguesa aqui vigente, ávidos por títulos e respeito da nobreza, serão alvo de cenas dignas de 'Guerra dos Sexos', com direito a tortas na cara e episódios pouco compatíveis com algemas e tronco.

Há o receio de que as chibatadas, o estupro sofrido pela avó de Isaura no navio negreiro que a traz da África e todo o sofrimento a seguir afastem o espectador da emissora, principalmente diante de uma comédia rasgada no outro canal. Haja Coração, uma releitura da velha Sassaricando, estreará na mesma data e horário, mas a Record nem tinha essa previsão quando a história, já gravada no ano passado, começou a ser escrita.

Feita tal ressalva, o que se vê em 'Escrava Mãe' é uma textura visivelmente superior à das demais novelas da casa. O tal 4K, tecnologia de que todo mundo fala mas quase ninguém vê, tem lá seu efeito no inconsciente do espectador. O diretor Ivan Zettel explica que a ultra alta definição ajuda a equipe a selecionar um ou outro zoom que lhe interesse, na hora da edição. Além disso, 'Escrava Isaura' é figura manjada no mundo todo. Primeira novela da Globo a ser exportada em larga escala, tendo depois rendido versão igualmente bem posicionada nas vendas da Record para o exterior, Isaura inspira 'Escrava Mãe' a cruzar fronteiras. E a filmagem em 4K tem seu peso para atrair compradores de outros mercados.

A ideia de abordar esse tema veio diretamente do chefão da Record, Marcelo Silva, que encomendou o projeto a Reiz. “O livro do Bernardo Guimarães faz algumas citações sobre a origem dessa personagem. O que fizemos foi ampliar isso e criar os personagens daquele contexto”, conta o autor. 

A fazenda que abriga o enredo, segundo o diretor, somou 1 milhão de metros quadrados nos estúdios de Paulínea, interior de São Paulo, onde a produção foi gravada. No total, eram 65 cenários, incluindo o navio negreiro que traz Luena, vivida pela bela Nayara Justino, e seu marido, Kamau (Marcelo Batista) de Angola, em 1789. Estuprada pelo vilão Osório (Jayme Periard), ela vai parir Juliana (Gabriela Moreyra), a mãe de Isaura.

A narrativa tem início na voz de Zezé Motta, contando para a já adolescente Juliana como sua mãe veio parar no Brasil. Gravada no ano passado, 'Escrava Mãe' é uma obra fechada, mas a equipe admite que tem material para espichar sua duração para além dos 140 capítulos previstos, chegando talvez a 150. O custo da produção foi orçado em R$ 350 mil por capítulo.

A história vem parar no Brasil de 1808, escolha de Reiz para um momento de maior “efervescência”, pela chegada da Família Real Portuguesa ao Rio. A época coincide com a de 'Liberdade Liberdade', novela das onze da Globo. Fardas militares da época poderão ser vistas nos dois canais, e quem a veste, na Record, é Juno, namorado de Xuxa. Além dele e dos já mencionados, estão no elenco: Bete Coelho, Roberta Gualda, Thaís Ferçoza, Antônio Petrin, Fernando Pavão, Luiz Guilherme, Roger Gobeth, Luíza Thomé e Pedro Carvalho, ator português que fará par com a protagonista. 

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