Michel Angelo/Divulgação
Michel Angelo/Divulgação

Record lança 'Dez Mandamentos', primeira novela bíblica

Com 150 capítulos orçados em R$ 700 mil cada, trama recontará a história de Moisés com efeitos especiais feitos em Los Angeles

João Fernando, O Estado de S. Paulo

22 Março 2015 | 03h00

Revelações sobre o passado da família, traições e disputas pelo poder são elementos que poderiam estar em qualquer novela. Porém, no caso de Dez Mandamentos, que esta segunda-feira, 23, às 20h30, na Record, a emissora pinçou da Bíblia a história que permeará o primeiro folhetim de época do canal.

Em 150 capítulos, a trama vai narrar a trajetória de Moisés, líder hebreu que libertou seu povo do Egito, desde o momento em que ele foi posto em um cesto e colocado no Rio Nilo por sua mãe, uma escrava, e encontrado por uma princesa egípcia, que o criou. Dividida em quatro fases, a novela dará ênfase aos períodos em que ele se torna um dos homens importantes do governo local e quando larga tudo para se tornar um pastor.

Na adaptação de Vivian de Oliveira, o personagem bíblico terá menos pompa que as versões de Moisés apresentadas em filmes. “O cinema o vê como grande herói. O nosso é mais humanizado. Ele batalha, sofre, descobre o amor e depois Deus. É uma grande virada”, compara o diretor Alexandre Avancini. Guilherme Winter, intérprete do protagonista, faz coro e afirma que o tom será próximo de um personagem típico de novela, mais carregado no drama. “Ele vai se transformando. Tem angústias, é marginalizado pelo faraó, não sabe que tem uma outra família. Esse conflito é forte. Tivemos de dar uma ‘folhetinada’, tem triângulo amoroso”, disse o ator ao Estado, por telefone.


A produção da Record faz jus ao megalômano faraó Ramsés, que na trama é vivido por Sérgio Marone. Além de uma cidade cenográfica que reproduz as construções egípcias quase em tamanho real, a equipe rodou cenas no deserto do Atacama, no Chile. “Nunca passei tanto frio na minha vida. Gravava de saiote, manga cortada. A gente batia o queixo na hora de passar o texto. Era um vento de rachar e água gelada”, relembra Winter.

Artistas e técnicos encaram uma rotina pesada nos dias de viagem. “Acordávamos às 3 horas e fazia 4°C. Ao meio-dia, já estava 35ºC. Ventava muito, pegamos tempestades de areia”, conta Avancini, que rodou sequências em antigas áreas de mineração. “Foi lá que o Butch Cassidy (1866-1908) assaltou alguns trens”, revela. O diretor também foi ao Egito. Entretanto, só gravou cenas de paisagem. “Não levamos os atores por causa da situação política do país”, justifica.

Outro investimento pesado de Dez Mandamentos é a computação gráfica. As cenas em que o Mar Vermelho se abre para a passagem dos hebreus e uma das pragas que acontecem no Egito foram encomendadas em um estúdio em Los Angeles. “Há efeitos que são a estrela da cena e esse é um deles. É um evento que consome muito tempo de máquinas (para ser processado no computador)”, avalia. “Também vamos fazer efeitos mecânicos, aqui. Vamos destruir a cidade, as estátuas, e reconstruir”, adianta Avancini.

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