'Quero vê-la sorrir', o hit do mestre

Professor na Escolinha da Band, ele trabalha para se divertir, até em baile de formatura

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

01 Março 2009 | 00h18

Geminiano e eclético, como ele mesmo se define, Sidney Magal há tempos empresta seu porte de amante latino a personagens canastrões. Cantor e dançarino - é o rei das formaturas - ganhou agora o comando de um programa com a missão de ser... ele mesmo. Em entrevista ao Estado, Magal conta como virou o professor de Uma Escolinha Muito Louca, programa da Band que ressuscita a velha fórmula e já despertou a ira de Chico Anysio. "Meu segredo é o bom humor, trabalho para me divertir. E o povo percebe e diz: ? Parece que vocês se divertem mais do que a gente que está em casa?." Quando descobriu essa veia cômica? Sou muito gaiato, a ponto da minha mulher dizer: ?Pô, não dá pra acordar um pouco mal-humorado??. Mas foi na minha primeira novela, Ana Raio e Zé Trovão (1991, Manchete), que fazia, com muita sátira o amante da Dolores Estrada (Tamara Taxman), que viram graça em mim. Imaginava que viraria ator? Já cantei na noite, em churrascaria e em boate inferninho, até ser descoberto. Mas nunca imaginei ser ator. O que foi bom, porque quando a música não estava em alta, rolava uma peça, uma novela, e eu ficava na mídia. E como virou o professor da Escolinha da Band? Graças a Deus, tudo o que rola na minha vida é convite espontâneo. Foi assim desde meu primeiro disco, em 1976, e meu primeiro filme, o Amante Latino (1979). Em agosto, o (diretor da Band) Hélio Vargas me chamou para a Escolinha, porque ele já tinha me visto na Escolinha da Record, quando fiz dois programas. Você se considera humorista? Não... Eu me considero uma pessoa de bom humor. Acho muito mais difícil fazer rir do que fazer chorar e, para isso, é preciso uma dedicação que nunca tive. Sou um cantor que se dá o direito de atuar. Nunca estudou interpretação? Nunca, assim como nunca estudei dança. Confesso que não sou muito disciplinado para estudar, mas me divirto tanto, que sou um eterno aluno. Não tenho pretensão de chegar arrasando. Em quanto tempo decora um texto? Na Escolinha, leio o texto no teleprompter, porque interajo com todos os alunos, e gravamos três programas por dia. É impossível decorar tudo. E como fazia nas novelas? Tinha de decorar. Em O Campeão (1996, Band), o diretor Marcos Schechtman (atual diretor de Caminho das Índias, da Globo), chegou a apostar caixas de cerveja pelo número de vezes que eu repetia a cena. Mas depois aprendi que quanto menos ficar fissurado no texto, mais rápido ele entra na cabeça. Ficou chateado com o Chico Anysio? (Anysio diz que a Band plagiou a Escolinha) Não. Imagine se alguém chegasse hoje cantando Sandra, Rosa, Madalena e fizesse sucesso? Me coloquei no lugar dele e vi que ciúme é natural. Mas acho que estão eternizando o nome do personagem dele. Tem gente que me diz: ?Você está ótimo de Professor Raimundo?. Mas qual é a diferença entre os dois programas? Lá, sou o Sidney Magal, não um personagem. O Chico se sente dono do formato da Escolinha, mas o programa vinha do rádio e chegou a ser gravado por outro ator. E também tem escolinha no Chaves, tinha do Golias... O que gosta de assistir na TV? Sou geminiano e eclético. Gosto de filmes e, por incrível que pareça, dos programas policiais. Mas não vejo com admiração, e sim como homem de família, para saber que conselhos posso dar aos meus filhos. Depois de ser considerado brega, o que acha de virar cult? Nos anos 70, a palavra brega estava na moda, mas era preconceito social. E de uns tempos para cá, o Brasil se assumiu popular. Quando vi as duplas sertanejas despontarem, disse: ?Graças a Deus, a cafonice foi assumida (risos)?. Porque não adianta eles colocarem terno Armani, fazerem shows como se fosse o Carnegie Hall, porque é música que veio dos peões. Com 33 anos de carreira, me envaidece estar na mídia e fazer shows de formatura com 7 mil jovens cantando Sandra, Rosa, Madalena.

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