Juan Guerra/Estadão
Juan Guerra/Estadão

'Quero morrer trabalhando', diz Carlos Alberto de Nóbrega

Humorista comemora 60 anos de carreira com episódios de 'A Praça É Nossa'

João Fernando, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2014 | 10h54

Há 27 anos, Carlos Alberto de Nóbrega senta-se no mesmo banco, da mesma praça – que já mudou de cenário, é verdade, porém não se cansou da função. O humorista, que em maio comemora os 60 anos de carreira com episódios especiais de A Praça É Nossa, exibidos no SBT todas as quintas, às 23 horas, afirma não ter se cansado da função. "Quero morrer trabalhando", avisa.

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Recentemente, se sentiu mais próximo de seu fim ao fazer um check-up, que costuma repetir uma vez ao ano. "Dessa vez, tive de ficar no semi-intensivo. O médico não estava satisfeito com uma gordurinha no coração. A médica disse que eu tinha arritmia maligna. Eu levei um susto pelo 'maligna'. Ela disse 'essa é a que mata' com uma sutileza de pisada de elefante", relembra. Sem querer faltar ao trabalho, gravou uma edição do programa, à noite, foi para o hospital para um cateterismo.

Apesar de dar expediente sem problemas para decorar os textos, Carlos Alberto, de 78 anos, reclamou mais de uma vez está tomando remédios que afetam sua memória. Mesmo com a fala mansa, revela que tem andado tenso. "Estou mau da cabeça, com medo de morrer, o que nunca tive. E tenho dois filhos pequenos. Tem tanta gente morrendo aí, já estou com a ficha de espera na mão", faz graça.

Antes de se estabilizar no SBT, o fluminense trabalhou na extinta TV Tupi, Globo e Band. No final da adolescência, começou a seguir os passos do pai, Manoel da Nóbrega, criador do Praça da Alegria, programa exibido pela emissora da família Marinho nos anos 1970, escrevendo esquetes de humor. O fato de ser filho de um artista consagrado o deixava apreensivo.

"Eu era gago. A gagueira era uma insegurança. Meu pai era culto, falava vários idiomas. Eu era o burro da família." Entretanto, após pegar o jeito do trabalho, começou a enfrentar a plateia. "Fui tendo confiança em mim e com o público. Com 21 anos, não era mais gago. E sem tratamento", orgulha-se.

Por uma razão que não conta, Carlos Alberto passou 11 anos brigado com Silvio Santos, até que aceitou o convite para ter sua atração no SBT. "Não vou falar. Mas fiz besteira, foi culpa minha", disfarça. Segundo ele, os dois sempre foram muito próximos. "Eu tinha intimidade com o Silvio. De falar de mulher, essas sacanagens. Na época, não tinha motel, a gente tinha um apezinho", confessa.

Até o fim de maio, A Praça É Nossa terá edições especiais para relembrar quem já passou pelo banco e fez parte da história do humorista na atração. Na semana que vem, Tom Cavalcante gravará uma participação. "Ele está com medo de voltar à TV", analisa Carlos Alberto, que tem conversado com o cearense. Nomes como Jô Soares e Renato Aragão, com quem Carlos Alberto trabalhou na época da Globo, foram cotados, porém, os dois não foram liberados para ir ao SBT.

Com dezenas de talentos lançados em seu programa, o humorista diz manter a mão firme com os recém-chegados que tentam dar uma de estrela. "Eu não bato boca com artista. Não preciso dizer que mando", explica ele, que, sem dó, faz cortes da edição quando alguém sai muito do roteiro. Ele tem planos de continuar a revelar jovens humoristas. "Estou sempre à procura de alguém."

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