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Quem precisa de glamour?

Longe da extravagante Lady Kate, atriz detesta shopping e prefere o 'Zorra Total' às novelas

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 23h19

A turnê de uma peça e certa dose de preguiça de escrever fizeram essa curitibana desistir do curso de Jornalismo. Aos 30 anos, 16 no teatro, Katiúscia Canoro já fez quase de tudo. Começou aos 15 na agência de turismo do pai, foi atendente de telemarketing, cabeleireira, maquiadora, vendeu roupas, plano funerário e passou dois anos em subempregos nos Estados Unidos.

Nos palcos, fez muito drama até ser descoberta em uma comédia por um redator do Zorra Total. E foi no humorístico da Globo que obteve consagração do público. Sua histriônica ex-prostituta, "salva" ao se casar com um rico senador, acaba de completar um ano no ar, com bordões que estão na boca do povo (ainda não ouviu o "Tô pagano!"? E "Dinheiro eu tenho, só me falta-me o gramur"?). Ao contrário de Lady Kate, que faz tudo para esquecer o passado de Kate Lúcia, em entrevista ao Estado, a atriz revela que ela ainda não se rendeu ao "gramur" dos holofotes.

Seu nome já é de artista, não?

É. Meu pai gostava de uma atriz de fotonovela (a italiana Isabella Katiuscia). E tenho uma irmã com nome esquisito, a Cássila, que vem de uma cigana que morava perto da casa da minha mãe.

Como nasceu a Lady Kate?

Criei para a peça Cinta Liga uma sátira da Bruna Surfistinha, a Bruna Moreibugue. Mas a Lady também é inspirada em pessoas que vejo na rua. Ela é muito carioca.

E toda a história do senador?

Criamos um entorno, porque o Zorra é visto por crianças. Ficou subentendido que ela é ex-prostituta, e ela virou a emergente, que quer entrar na high society. Mas ela é prostituta de alma, e rampeira, não de luxo. A casa de Madame Sofia era bem de beira de estrada.

Imaginava que as crianças iam gostar tanto?

Jamais! Mas as crianças gostam por ela ser glamourosa, cheia de brilho, de trejeitos. Além de ser descoordenada,ingênua, meio infantil.

Como ela foi parar na TV?

Fui com a peça De Graça, Mas Tem Que Pagar para o Rio e dois diretores foram me assistir. Um deles, o Cláudio Torres (redator do Zorra), disse para eu aparecer na Globo e mostrar um texto ao Maurício Shermann (diretor do Zorra).

E você foi.

O Shermann estava em reunião com 30 pessoas. Bati na porta, com uma bolsa cheia de adereços, e disse: 'Tenho uns personagens para te apresentar.' Fiz, e ele riu muito.

Após a Lady Kate, o público das suas peças aumentou?

Ah! Agora bomba. Cheguei a ter 15 pessoas na plateia. Mas se você não é conhecido ou não tem grana para contratar uma boa assessoria, é difícil...

Seus amigos pedem para você incorporar personagens?

Não precisa pedir, sempre faço palhaçada. E na rua, as pessoas pedem para eu gravar mensagem no celular, vídeo...

Isso já te incomodou?

Procuro tratar todo mundo bem, porque trabalho para o público. Uma vez só me incomodou, no carnaval. Tinha passado mal no avião e cheguei em Ipanema, onde moro, que estava lotada. Entrei numa padaria, e uma mulher pediu uma foto. Só disse pra ela não espalhar que eu estava lá, ninguém tinha me reconhecido. E ela ficou magoada. Aí deu vontade de dizer: 'Ah! Vai c...!' (risos).

Agora que você está famosa, onde o "gramur" está na sua vida?

Se está em algum lugar, é na hora de comer. Mas não sou consumista, detesto shopping. Moro num apartamento bem pequeno, sou simples. Gosto de improvisar. Peguei uma foto do Elvis, umas flores de plástico azuis e colei na parede. Comprei 4m de tule, fitas coloridas e estou enfeitando minha casa.

Você tem algumas tatuagens. Isso já te atrapalhou na TV?

Um pouco porque tem que maquiar. Tenho cinco e todas de bicho. Tem besouro, lagartixa, sapo, formiga e centopeia.

Por que tanto bicho?

Quando criança, fazia casinha para tatu bola, adoro lagartixa. Tem uma aqui em casa que fez amizade (risos). E tem bichos com significado, bichos de luz, só fazem o bem. Cada tatuagem marca um momento da minha vida.

Fez alguma para a Lady Kate?

O besouro no pescoço representa essa mudança. Porque ator tem fama de vagabundo, tem que provar que trabalha. Entrar na TV tinha a conotação: 'Agora ela pode ser respeitada'. Por mais que não importe, é uma consagração.

Pensa em fazer novela?

Se for fazer novela, tenho que sair do Zorra, que tem um público para quem gosto de trabalhar. Gente que não tem Discovery e que aquele é o programa de sábado. Levar alegria para essas pessoas não tem preço. Não tem por que eu sair.

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