Quanto drama: Uma tese de Benício para o chimpanzé Xico

Jamais esqueceremos Dodi - e também o fato de que, às vezes, os atores demoram a achar o ponto nos papeis

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 22h39

Durante uma entrevista nos bastidores do seriado Força-Tarefa, Murilo Benício, que apesar de sofrer a implicância gratuita de certos setores, tem uma bela coleção de personagens em sua carreira, me disse que começo de novela é coisa de pôr o ego dos atores à prova - o dele, pelo menos. É quando, segundo ele, o cara vai para a cena sabendo que vai errar e errar de novo, até conseguir o tom certo do personagem. Quando isso acontece, oba, surge um Dodi, aquele adorável cafajeste de A Favorita.

É tese que se aplica a vários exemplos em novelas e que se mistura a outra síndrome de estreia: aquela certa impaciência do telespectador com a novela nova que veio substituir aquela anterior, de que ele gostava tanto ou com a qual estava acostumado. Daí, a gente fica meio sem saber se é o ator que ainda não encontrou o caminho, se a novela é ruim ou se a gente é que vai conseguir, enfim, cumprir a promessa de não se deixar mais prender - já ouviu alguém dizer "ah, não vou ver essa novela, porque fiquei muito preso na outra que terminou, nossa!"?

Se a gente pensar um pouquinho, surgem vários exemplos de atores que fizeram as pazes com seus personagens lá pelas tantas da novela. O Indra (André Arteche), de Caminho das Índias, que parece mais soltinho agora dançando o bangha. E até mesmo o Bahuan (Marcio Garcia) não está mais tão ruim depois que mudou para o Brasil. Mas aparece muito pouco em cena para quem é protagonista e dança o banghra muito mal para quem é um indiano. O.k., nem todo brasileiro tem samba no pé...

Mas quem se revelou mesmo na última semana foi o chimpanzé Xico. Anunciado como grande estrela de Caras & Bocas, o macaco me decepcionou bastante nos primeiros capítulos, quando apareceu "pintando" seus quadros com aquela mão humana enluvada. Em outras cenas, era substituído por um dublê baixinho com uma fantasia horrorosa, que mais parecia a Monga do circo da Vila Ré. Que papelão... Mas agora Xico vive boa fase, num momento da trama em que o personagem se recusa a pintar. Anda atuando graciosamente, numa boa dobradinha com Marcos Pasquim (Denis) que, veja como é a vida, virou o Dedé (ou Dean Martin) do chimpanzé.

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