Quando não adianta nem se queixar ao bispo

Murilo Rosa é o Wolverine da Glória Perez, arma secreta da qual ela já lançou mão em América, quando deslocou a trama para o par que ele fazia com Eliane Giardini, o peão Dinho e a viúva Neuta. O bom da arma secreta de novela é que ela pode ser inventada na hora do vamos ver, quando os planos não tiveram o efeito esperado. Não que Caminho das Índias estivesse precisando ser salva, mas não deixa de ser bem acertada a decisão de criar uma outra força masculina além do Raj (Rodrigo Lombardi), depois que o Bahuan (Marcio Garcia) foi de vez para o lado negro da Força.

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2009 | 00h13

Ainda bem que dá para mudar novela no meio do caminho. Imagine o resultado quando o autor resolve insistir em histórias que não estão dando certo. O que ocorre é que é preciso ser mestre para improvisar solução, sob o risco de o conserto ficar pior que o original.

Mas nada pode ser pior do que uma novela que começa a mudar por motivos inexplicáveis. Circulou nessa semana a história de que Paloma Duarte abandonou uma gravação de Poder Paralelo porque ensaiou uma cena e, na hora, o texto era outro. Consta que a Record tem feito alterações no que Lauro César Muniz escreve. No caso, em cenas de insinuação sexual. Teria vindo em nome dos bons costumes o corte numa cena apimentada entre Fernanda, a personagem de Paloma e Maura (Adriana Garambone). Elas são amante e esposa de Bruno, interpretado por Marcelo Serrado, o José Mayer da Record.

Na tentativa de subentender, situações já aparecem sem sentido. E não dá nem para pensar em se queixar ao bispo, porque, se cortaram, foi ele mesmo quem mandou. Falta de respeito com o autor, que construiu a carreira sobre um texto irrepreensível. Ruim para a novela, que é boa e tem em Fernanda sua melhor personagem feminina - como a trama é sobre a máfia, a tendência é que seja dominada pelos personagens masculinos. E, no longo prazo, péssimo para uma emissora que quer ser grande em teledramaturgia.

O curioso é que a preocupação não se aplica às cenas de violência - transar não pode, matar sim. Todo aquele realismo de A Lei e o Crime, seriado da casa, está aí para provar. E a mesma Poder Paralelo já teve de execuções com tiro na testa a mordidas ensanguentadas de Gabriel Braga Nunes na própria mão.

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