RAMON VASCONCELOS/DIVULGAÇÃO
RAMON VASCONCELOS/DIVULGAÇÃO

Próxima novela das 6 homenageia imigrantes italianos e japoneses

De Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer, 'Sol Nascente' tem a amizade como foco e estreia no fim de agosto

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2016 | 05h00

Novela de Walther Negrão ou é na praia ou em cidade do interior. Sol Nascente, sua próxima cria, que assina com Suzana Pires e Júlio Fischer – colaboradores seus em outras tramas e cocriadores da história da vez – não foge à regra. Localizado sem espaço fixo no mapa, no entanto, o enredo é abrigado por um cenário que bem poderia ser o Litoral Norte, capaz de levar seus personagens até São Paulo ou Rio. À parte a certeza dos autores de que a prioridade é sempre contar uma boa história de amor, o contexto da trama promove as culturas japonesa e italiana, duas vertentes fortes da imigração no Brasil. Isso, com ajuda da gastronomia e cuidados de imagem dispostos a capturar o telespectador pelo estômago.
A culinária da mama estará representada por Aracy Balabnian, par de Francisco Cuoco, que por sua vez forma um dueto a la Jack Lemon e Walter Matthau com Luís Mello, o patriarca japonês, Tanaka. Luís Mello, japonês? “A avó dele era japonesa e o avô, oficial americano, mas ele nasceu no Japão”, explica Fischer. “No sangue, ele é mestiço, mas sempre diz: ‘sou japonês até a raiz dos cabelos’, embora o Gaetano (Cuoco) sempre diga que ele é um ‘japonês fajuto’”, completa.
Vem também da cultura japonesa o temperamento e a racionalidade da mocinha, que os autores juram que não será chata. Alice, vivida por Giovanna Antonelli, é enteada de Tanaka, dono de uma empresa de pesca. Ela reluta em aceitar que está apaixonada pelo grande amigo de infância, Mario, papel de Bruno Gagliasso, ligeiramente imaturo.

“Negrão já tinha a coisa do italiano, da praia, mas a história nasceu em torno dos personagens. O conceito da novela está todo em cima da amizade”, explica Suzana, que o público conhece bem como atriz – o papel mais recente foi a manicure Janete, em A Regra do Jogo.“Ele é emoção pura, ela é razão”, continua, “ela é mais velha que ele um pouco, tem esse flashback da infância, ela com 12 e ele com 8, os dois cresceram juntos. Ele é muito italiano e ela é muito japonesa”. A personagem sustenta parte do pacote que a novela trará daquilo que se convencionou chamar de “empoderamento feminino”, sem esbarrar em tom discursivo, prometem os autores. 
Foi num flat em Pinheiros, em São Paulo, QG dos autores, que Júlio e Suzana receberam o Estado para falar da substituta de Êta Mundo Bom! – a estreia está prevista para 29 de agosto. Negrão, que sofreu um princípio de AVC há menos de um mês, falou com a reportagem por telefone, do Hospital Alber Einstein, ainda sob supervisão.
“Arraial do Sol Nascente acaba sendo uma cidade como se fosse não uma ilha, mas uma península cercada de praia”, explica o autor veterano, a quem Fischer e Suzana tratam como “mestre”. Natural de Avaré, interior paulista, Negrão normalmente foge da neurose urbana em seus enredos. E a novela da vez só não é mais rural para não colidir com o foco de Velho Chico. “Tem uma praga: sempre que quero fazer novela rural, o Benedito (Ruy Barbosa) vem antes, e agora o Walcyr (Carrasco) também é caipira. Eu sou de Avaré, ele é de Bernardino de Campos, ele é mais caipira, porque Bernardino é mais longe, essa brincadeira, eu faço sempre com ele”, ri Negrão. 
O autor fala que está juntando seus elementos à espera de uma novela “ light”, de relações familiares, com folhetim correndo por baixo de tudo. “Juntei experiências da Tupi, de Nino, o Italianinho, as coisas que fiz com o (Geraldo) Vietri e as praias, que eu trago desde Top Model, que escrevi com o (Antônio) Calmon”, lembra.
Boa parte da criação atual também é herdada de Flor do Caribe, última novela de Negrão, quando Fischer e Suzana assinavam ainda como seus colaboradores. O diretor artístico, Leonardo Nogueira, também é uma herança de Flor do Caribe, quando assinou a direção-geral. Suzana e Fischer destacam a disposição do diretor em lhes apresentar figurino e cenários, com direito a maquetes, o que contribui para o entendimento da obra final, desde o princípio. A direção-geral será de Marcelo Travesso.
Suzana e Fischer destacam ainda o núcleo das caiçaras nômades que vivem da pesca e prescindem da companhia constante dos maridos, todas negras. Apostam também no par formado por Letícia Spiller e Marcello Novaes, ex-casal da vida real e grandes amigos, que não contracenam desde Quatro Por Quatro, quando começaram a namorar.
Todas as questões abordadas na história, enfatizam os autores, dispensam discursos. E avisam: nada de núcleo de humor. Alguns personagens, como o de João Côrtes (ainda conhecido como o “ruivo da Vivo”) concentram mais riso, mas a graça não terá lugar e hora certa. Como diz Suzana: “Vem cá, na sua vida, em algum momento, você abre uma porta e diz: ‘aqui vão estar os palhaços’? Isso não existe”.

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