Poderoso retrato do abismo de classes

Dirigidos por Roberto Farias, todos os atores reproduzem histórias de desconfiança e traição

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2007 | 22h40

Em 1960, um assunto dominou as manchetes dos principais jornais brasileiros, especialmente os do Rio de Janeiro: um grupo de ladrões levou grande quantidade de dinheiro que era transportada em um trem. A história era tão fascinante que inspirou o diretor Roberto Farias a dirigir um dos melhores filmes nacionais do gênero policial: ?O Assalto ao Trem Pagador? (Ctav), cuja venda é exclusiva das lojas da 2001 Vídeo.Conta a história de como o bando de Tião Medonho assalta o trem pagador da Central do Brasil, entre Japeri e Paes Leme, explodindo os trilhos com dinamite. Armados de revólveres e metralhadoras, seis assaltantes levaram 27 milhões de cruzeiros e mataram um homem. Os culpados foram presos um ano depois. O fascinante na visão rodada por Farias é sua opção por olhar de perto o que acontece com as quadrilhas depois do roubo, reproduzindo um aspecto da sociedade.Afinal, se o negro Tião Medonho (Eliezer Gomes) executa o trabalho mais difícil, boa parte da bolada fica nas mãos do garotão de olhos azuis (Reginaldo Farias), que pouco se arrisca. Um belo comentário sobre abismo de classes .

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.