National Geographic
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‘Planeta Hostil’ oferece emoção digna de temporada final de 'Game of Thrones'

Série documental emociona ao mostrar animais lutando pela sobrevivência

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2019 | 03h00

LOS ANGELES — Planeta Hostil é uma série documental sobre natureza, mas oferece emoção digna de temporada final de Game of Thrones. “Muitas das histórias são de cortar o coração”, disse o apresentador Bear Grylls, conhecido por fazer jornadas de sobrevivência com celebridades do cinema e da música. “Em geral, quando assistimos a uma série sobre a natureza, pensamos: ‘Nossa, que bonito’. Aqui, é: ‘Não, não, não!’.” Que é como um espectador reagiria ao Casamento Vermelho ou à morte de Jon Snow. 

Em Montanha, primeiro episódio da série que estreou na quinta-feira, 18, na National Geographic, um casal de gansos de faces brancas protege os filhotes recém-nascidos a mais de cem metros do chão. Mas chegou a hora de os pequenos deixarem o ninho. O problema é que eles ainda não sabem voar e simplesmente pulam no abismo para chegar lá embaixo, onde está a comida. São muitos minutos de suspense e terror, conforme cada um dos três filhotes salta, com chances pequenas de sobreviver. 

Uma outra série, Life Story, já tinha mostrado o drama dos gansos de faces brancas, que vivem na Groenlândia. Mas Planeta Hostil tenta filmar os animais de maneira diferente. “Queríamos uma narrativa visual”, explicou Guillermo Navarro, diretor de fotografia vencedor do Oscar por O Labirinto do Fauno e produtor executivo da série. “A lente precisava estar no lugar certo para que o espectador se conectasse emocionalmente com a luta dos animais. É uma experiência mais imersiva.” Para o produtor Tom Hugh-Jones, a ideia era dar à série “mais atitude”. Mateo Willis foi o homem escolhido para passar essa ideia. “Usamos bastante drone de corrida. Por exemplo, numa sequência com águias, queríamos mostrar como é ser uma águia.” Numa sequência, o público vê a perigosa jornada de uma tartaruga bebê rumo ao mar sob a perspectiva dela. 

Ao todo, a produção visitou 82 países, incluindo o Brasil, filmando durante 1.300 dias, para produzir os seis episódios – além de Montanha, Oceano, Pradaria, Floresta, Deserto e Ártico. O objetivo foi sempre acompanhar a história, segundo Bear Grylls. “Seguimos uma família. Seguimos uma luta. A batalha contra a natureza ou predadores. E isso só é possível graças à tecnologia, porque não precisamos mais ficar a quilômetros de distância para usar um tripé.” 

Mas a história comum que permeia toda a série é o impacto da mudança climática na vida já complicada e arriscada dos animais. Bichos de terras geladas convivem com temperaturas recordes e têm de lidar com a transformação das estações e a falta de comida. “Usamos as pequenas histórias para ilustrar o panorama geral”, disse Mateo Willis. 

Os criadores de Planeta Hostil esperam que, assim, mais pessoas se apaixonem pela natureza e a protejam. “Em um planeta hostil, em que sobreviver é difícil, esses animais mostram resiliência, adaptabilidade, inteligência. Eles começam a se comunicar e a trabalhar juntos. Focas se unem para combater tubarões. Ursos polares aprendem a caçar baleias.” É também uma lição, portanto, para nós, humanos. 

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