Eliana Rodrigues
Eliana Rodrigues

Pitty se une ao time do programa 'Saia Justa'

Cantora diz que se sente à vontade e que participação é desafiadora

Eliana Silva de Souza, Impresso

29 Março 2017 | 03h00

Em 2017, quando completa 15 anos, o programa Saia Justa ganha novas caras, a cantora Pitty e a atriz Taís Araújo. Nesta nova temporada, mantém-se na grade do GNT, às quartas, 21h30. Uma das novidades da atração, Pitty fala dessa sua nova fase, um desafio a mais, que a tira da zona de conforto.

Como surgiu a ideia de participar de um programa de TV? Já estava em seus planos?

Não estava nos meus planos, mas foi um convite que veio em ótima hora e para um programa que super tem a ver comigo. Topei por isso, por me identificar com o Saia Justa e adorar uma nova aventura. Uma oportunidade de fazer algo diferente, renovar e aprender. Isso é sempre muito bem-vindo.

Ser mãe contribuiu para esse momento, tem mais tempo para ficar com a filha?

Por isso comentei que veio em boa hora. É ótimo ter uma atividade que eu possa exercer sem viajar tanto, nesse momento em que ainda estou amamentando e que minha bebê precisa de mim por perto.

Como é participar de um programa como esse, com mulheres falando sobre tudo?

É maravilhoso, prazeroso, desafiador intelectualmente. E, além disso, necessário. Quanto mais espaços que deem voz às mulheres, melhor. E uma voz sem tabus, sem estereótipos, com cada uma podendo se expressar livremente.

Como foi o primeiro programa, se sentiu à vontade?

Totalmente à vontade. É um grupo bastante acolhedor, afetuoso. Há uma sororidade e generosidade ali, por parte tanto do elenco e da equipe, que fazem com que a gente se sinta confortável para ser, para errar, para experimentar e acertar.

Conseguiu ultrapassar a barreira do medo, da insegurança de abraçar algo novo?

Acho que consegui, sim. Foi mais no primeiro salto (ufa!), e já foi. Mas também toda semana há essa borboleta na barriga especialmente nos minutos que antecedem o ao vivo, quando já estamos prontas, aquele suspense e frisson no ar. E isso tem que ter, é o tesão de querer fazer cada semana melhor.

E agora, como é se ver no vídeo? Já tem retorno do público?

Ainda não tive tempo de ver, e para falar a verdade não sei se quero. Minha autocrítica é muito feroz e tenho medo que isso me sabote, mas vou acabar superando e vendo porque acho que pode ser produtivo. Acompanhei ativamente o retorno das pessoas pelas redes sociais e também a resenha dos amigos, e isso tem sido incrível. Ficamos todas muito felizes de ver o sucesso que foi essa estreia, o tanto de comentários sobre o programa.

Estamos em um momento de polarizações, pessoas que não se preocupam se vão machucar ou ofender o outro, isso a preocupa?

Acho que é uma coisa do nosso tempo, e uma coisa para a gente pensar e refletir. Quem sabe, com muito diálogo, didatismo e paciência, resolver. Acho que temos que encontrar um jeito de não ficar acuados por conta disso, de não sermos tolhidos na nossa liberdade de pensar e se expressar. É conversar sobre esses limites, e assumir essa responsabilidade de não ser omisso e conivente quando presenciar uma ofensa, um desrespeito. É defender as vítimas disso e se colocar como um cidadão que não tolera esse tipo de comportamento. Uma atitude coletiva mesmo, e que tem a ver com empatia.

Como você vê a situação da mulher nos dias atuais?

Há uma sensação de retrocesso nesse sentido, porque temos presenciado falas e atitudes que desmerecem anos e anos de luta por direitos igualitários. Essa questão é muito séria, a cada duas horas uma mulher é assassinada no País, mais do que em países em guerra. Precisamos de mais representatividade, de mais voz. Precisamos começar a pensar em eleger mulheres que defendam nossas pautas. Essa batalha é no dia a dia, nos diálogos e na vida, mas ter uma bancada que represente de fato as mulheres é bem urgente.

O que espera para sua filha neste mundo machista? São dois lados, não, a felicidade de tê-la e a insegurança de colocá-la aqui, é assim para você?

É, sim. Passei por todas essas questões quando soube que teria uma filha. Por ser mulher, por saber o que é ser mulher nessa sociedade. Lembrei de tudo que escutei, que passei, que me foi negado e que me foi concedido. No final dessa reflexão, ter uma filha me dá mais vontade ainda de lutar para construir um futuro justo e digno para ela. Um futuro sem medo, em que ela não seja penalizada simplesmente por ser mulher.

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