Piada no liquidificador

A graça nossa de cada dia é o combustível de Junto e Misturado, humorístico encabeçado por Bruno Mazzeo que estreia no dia 1º na Globo

Patrícia Villalba / RIO,

18 de setembro de 2010 | 16h00

 

É um título de algumas interpretações, todas condizentes com a forma e o conteúdo do programa: Junto e Misturado surgiu de uma gíria nascida nos morros cariocas, que virou funk e desceu ao asfalto para inspirar até jingle de candidato político. O "tamo junto" ou "tamo junto e misturado" que os brou repetem por aí, dá o tom do humorístico que a Globo estreia no dia 1.º de outubro, às 23 horas, no lugar de Separação?!.

 

Para começar, tudo parte das conversas despretensiosas de um grupo de seis amigos - Fabíula Nascimento, Debora Lamm, Renata Castro Barbosa, Bruno Mazzeo, Fabio Porchat e Gregório Duvivier - que aparecem como eles mesmos em encontros casuais num botequim, numa praia ou no aeroporto. "Dessas conversas, surgem esquetes, onde interpretamos personagens", explica Mazzeo, que recebeu o Estado para uma conversa sobre o programa e o bom momento pelo qual passa o humor brasileiro em sua casa, no bairro da Gávea, no Rio (leia na próxima página).

 

Como fazia no Cilada, que teve seis temporadas no canal Multishow e ainda foi quadro no Fantástico, Mazzeo atua e assina a redação final do programa, dirigido por Maurício Farias (dos seriados A Grande Família e Aline). "É um bate-papo ilustrado, basicamente. Nas esquetes, estão situações que aqueles amigos passaram e estão contando para os outros, ou até situações imaginadas. É uma visão amplificada sobre o cotidiano", detalha.

 

A turma de Bruno é um grupo coeso, engraçado, junto e misturado também na vida real - daí a justificativa perfeita para o nome do programa. Mas nas reuniões que teve com o diretor de núcleo Guel Arraes (o nome por trás do histórico TV Pirata), Mazzeo encontrou a melhor maneira de definir uma atração que se propõe a abarcar todas as formas de humor. "Na leitura do Guel, é uma mistura de linguagens de humor, desde as cenas cotidianas até as mais nonsense. Vamos do Chico Anysio ao Monty Phyton em segundos", adianta Mazzeo, que contabilizou que nada menos que 800 personagens serão interpretados pelo grupo nesta primeira temporada, de 12 episódios.

 

Moço de ideias fervilhantes e filho do Chico Anysio, várias vezes citado nessa conversa, Mazzeo conta que levou seis meses para definir o formato do programa, seu maior voo na Globo. "A gente já sabia que seria um programa de esquetes, mas o desafio seria como amarrá-las", explica. "E como é uma característica da nossa geração o stand-up e a conversa jogada fora, chegamos ao bate-papo entre amigos."

 

Com 20 anos de carreira e 33 de vida, mas nem 5 de grande exposição na mídia, Mazzeo faz coisa "pra caramba", para usar o slogan do comercial que o tornou conhecido em todo o País. Começou como roteirista na Globo em 1991, na Escolinha do Professor Raimundo, programa de Chico Anysio, mas não ficou preso à estrela do pai - escreveu para o Sai de Baixo, depois para A Diarista, até criar o Cilada, em 2005, primeiro humorístico produzido pela TV a cabo brasileira. "O Multishow reprisa o Cilada toda hora. É o Chaves do Multishow", brinca.

 

Inquieto, ele comprova a regra de que quanto mais chutes a gol, mais acertos. E por feliz coincidência, vários de seus gols vão começar a aparecer daqui para frente, dando a impressão de que todo mundo quer trabalhar com esse cara.

 

Além de Junto e Misturado, ele estreia em 12 de novembro o longa-metragem Muita Calma Nessa Hora, de Felipe Joffily, do qual é roteirista, coprodutor e ator, em pequena participação. Ainda em outubro, ele começa a rodar a comédia Cilada.com, dirigida por José Alvarenga Jr., que escreve, produz e onde atua, para estrear nos cinemas em abril de 2011. No começo do ano, atua no longa E Aí, Comeu?, com roteiro de Marcelo Rubens Paiva, do qual também é produtor, e Jardim Perfumado, em que é "apenas" ator convidado e palpiteiro no roteiro.

 

"Estou no meu momento mais bombado, vamos dizer. Mas em 20 anos, já fiz projeto que não bombou, projeto que bombou e que eu não apareci, tudo", observa. "Tem gente no Twitter que diz ‘pô, nem sabia que você é filho do Chico Anysio!’ ou ‘nem sabia que você escrevia o Sai de Baixo’. Então, tenho consciência da ralação que é. Não tem glamour", garante.

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