Reprodução/Youtube
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Pets fazem participações especiais em lives durante quarentena

Trabalhar de casa pode significar, muitas vezes, ver sua reunião ou entrada ao vivo invadida por seus animais de estimação

Ana Lourenço, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2020 | 05h00

Vídeos de animais fazendo sucesso na internet já nem são mais novidade. Gatinhos derrubando objetos decorativos das estantes, cachorros que perseguem o próprio rabo por horas. Os personagens e as situações mudam, no entanto, durante a pandemia do novo coronavírus, as situações engraçadas passaram a ser vistas com mais frequência graças às diversas lives que são realizadas diariamente – e que os bichos adoram invadir. Afinal, agora, os donos estão mais tempo em casa. “Estar em casa afeta o comportamento dos pets e é por isso que eles acabam fazendo essas ‘participações especiais’”, explica a psicobióloga e doutora em comportamento animal Juliana Damasceno. “É uma tentativa de chamar a atenção do tutor”. 

O jornalista Fernando Gabeira, comentarista da GloboNews, já percebeu como os seus gatinhos são capazes de chamar a atenção não só dele, mas também dos telespectadores durante suas entradas ao vivo. “Eles são muito falados e fotografados. Há quem reclame quando eles não aparecem. Acham que estou escondendo-os. Mas são absolutamente livres, aparecem quando querem. Não posso e nem quero controlá-los”, conta. 

De acordo com o jornalista, ele e a esposa, Neila Tavares, vivem com quatro gatos em casa e mais quatro no escritório de Neila, onde ela trabalha o dia todo, mesmo na pandemia. “No prédio em que a gente mora, um belo dia me perguntaram se eu poderia acolher um gato que tinha sido abandonado. Assim começou a nossa vida de ‘gateiros’”, brinca.

Juliana explica que a grande maioria dos animais vão se beneficiar da presença constante do humano dentro de casa. “Não é que eles estejam mais carentes, mas como é benéfica essa presença, o animal vai requerer a atenção. Cabe ao tutor tornar essa interação rotineira”, explica. 

Mas claro que é preciso tempo para que os animais – e nós mesmos – se acostumem com a situação. “O Fernando (Gabeira) viajava muito antes de a pandemia começar. Depois que ele passou a ficar em casa, eles (os gatos) ficaram mais grudados ainda. Acho que têm medo que ele vá embora de novo”, conta Neila.

Algo parecido aconteceu com o conselheiro Antonio Roque Citadini durante a sessão virtual do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) em 14 de julho. Bravo, seu dogue alemão de cinco anos, decidiu pedir um pouco de carinho justamente quando ele estava lendo o seu voto. De acordo com Citadini, o cachorro não o via há três meses, pois estava no interior de São Paulo. “Ele voltou na segunda-feira [13]e está muito apegado em mim porque ele tinha uma vida muito agradável em casa, e achou que tinha sido abandonado. Quando ele voltou, aonde eu ando ele anda atrás”, comentou ele em entrevista ao E+. Ao notar as risadas dos colegas, o conselheiro brincou: “esse é meu cachorro. Justo agora ele me aparece aqui, [...] vá para lá”.

Apesar de acontecer sem aviso, a maneira do conselheiro se comportar perante o animal foi a correta. De acordo com a especialista, não é indicado brigar nem afagar o animal nesses momentos, pois isso pode reforçar o comportamento. “A gente precisa que o contato do tutor seja positivo, consistente e previsível”, ensina ela. 

Ou seja, durante o home office, o carinho e as brincadeiras com o animal devem ser dadas no momento certo e não quando ele quiser receber ou nós estivermos com vontade de dar. Caso seja hora de trabalho, não dê tanta atenção ao seu animal. “É ideal que o gato tenha um local próximo do local de trabalho dos tutores. Já para os cachorros, comedouros recheáveis prendem a atenção”, indica. 

Mundo afora

Nos casos citados acima, a participação dos bichanos foram pontuais. Mas em outros vídeos virais da internet, as interrupções foram um pouco mais chamativa. Como o caso de Brody, a golden retriever do meteorologista Paul Dellegatto do canal americano FOX 13 News. Durante a chamada ao vivo, a cachorra danificou o computador e impediu que os gráficos de mapas fossem exibidos, fazendo com que o jornalista fosse obrigado a falar, em vez de mostrar, as mudança de tempo. 

Já a jornalista Doris Bigornia, da DMZZ Teleradyo, uma emissora fechada da televisão filipina, foi interrompida pela briga intensa de suas gatas Bella e Nala. A comunicadora, antes calma, perdeu um pouco da concentração, mas manteve a compostura. Isso, porém, não impediu que o vídeo se tornasse viral.

De acordo com ela, seus gatos sempre fizeram sucesso, muito antes do vídeo acima se tornar famoso. "Um telespectador já tuitou que a única razão pela qual ele sintoniza no nosso programa é por causa dos gatos! Imagine isso!", conta ela. "Para mim e para minha filha Nikki é absolutamente incrível saber que os telespectadores encontram alegria e os gatos colocam um sorriso em seus rostos em meio a esses tempos difíceis", diz ela que faz questão de reforçar que os intrusos  não são os bichanos, mas sim ela. "Esse é o território do meu outro gato Edward, é onde ele fica a maior parte do dia. Então eu simplesmente o deixo durante o jornal ou, se ele prefere não aparecer, nós não o forçamos. Eles vêm e vão quando querem", diz ela.   

No Reino Unido, o gatinho Tiger bebeu o leite do padre Robert Willis, diretor da catedral de Canterbury, durante uma das orações matinais ao vivo que ele faz para os seus espectadores. Provando que a situação não acontece somente com jornalistas ou durante entrevistas, mas sim com qualquer um que planeja fazer um vídeo ao vivo. Ao todo são quatro gatos que vivem com ele e os outros padres. Tiger, é um dos mais amorosos. "Ele adora estar no jardim da cozinha; É um gato muito amigável e companheiro, apesar de não ser o mais brilhante dos quatro, mas o que ele não tem em poder cerebral ele mais do que compensa no coração", brinca Wilis. Normalmente, o local receberia mais de 20 mil pessoas, devido a eventos e funções de caridade. "Os gatos têm achado o confinamento bastante difícil. Eles têm fome de visitantes", diz.

Com o bloqueio das catedrais e igrejas, o padre Robert Willis decidiu fazer dois serviços por dia - de manhã e a noite - para os fiéis. "E como tivemos um belo tempo na Inglaterra durante toda a primavera eu pensei que especialmetne para as pessoas que estavam trancadas em suas casas, o uso dos jardins ajudaria elas a se conectarem e relaxarem". E como os gatos adoram sua companhia e passar tempo no jardim, eles passaram a fazer parte dos vídeos também. "Deixamos os animais e pássaros fazerem o que quiserem enquanto eu faço o serviço", afirma ele.

Aliás, em tempos de isolamento social, quem não tem pets pode muito bem ser interrompido pelas crianças, mães, pais ou esposas. Home office, afinal, também é lidar com imprevistos.

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