'Pessoas são pessoas, tendo dinheiro ou não'

Atriz Andreia Horta , que volta a ser Alice, fala das diferenças entre o público de novela e de série

Etienne Jacintho,

18 de novembro de 2010 | 07h00

 

 

 

Andréia Horta tirou a sorte grande quando a HBO a contratou para ser protagonista da série Alice, a terceira produção nacional da rede no Brasil. Dirigida por Karim Aïnouz e Sérgio Machado, a série ganha agora dois capítulos especiais, com 90 minutos de duração cada um. Alice – Um Especial em Duas Partes será exibido nos dias 20 e 27, às 21h, na HBO.

 

Em conversa com o Estado, a atriz, que era uma das principais contratadas da Record quando Alice foi ao ar, fala sobre as diferentes experiências na TV – ela fez A Cura, na Globo – e comenta as felicidades e agruras da profissão.

 

 

O que será de Alice neste 2º ato?

 

Ela quer construir um porto seguro, mas coloca o projeto nas mãos de outro, o que não vai dar certo. Ela quer encontro, não confronto.

 

 

Como foi voltar a ser Alice, após o intervalo de um ano?

 

Foi um reencontro. Criou-se um passado, pois passamos nove meses filmando 12 horas por dia, muito intensamente. Tudo o que foi experimentado não se perde.

 

 

O que Alice trouxe para sua carreira?

 

Aprendi muita coisa, cresci e trabalhei com diretores incríveis. Houve participação da galera de teatro que é a minha turma em São Paulo. Foi um palco de delícias.

 

 

Você estava em Chamas da Vida, novela da Record, quando Alice foi ao ar. Os públicos são diferentes, assim como o olhar da mídia. Como foi lidar com fãs e imprensa nesse período?

 

Algumas pessoas que me abordaram assistiam às duas atrações. Algumas vezes aparecia um fã da novela com uma observação profunda e um fã da série com uma visão rasa. Pessoas são pessoas, tendo dinheiro ou não. Já a abordagem da imprensa é completamente diferente. Às vezes, uma pessoa que vem te entrevistar para uma novela chega sem nenhuma pauta. Mas vou lidando, porque para mim as duas coisas são importantes.

 

 

Depois de fazer uma série, em que você tem mais tempo para preparar um personagem, não é difícil voltar a atuar em novela, em que tudo é mais corrido?

 

Novela é exercício de desprendimento. É cansativo, mas você exercita um personagem aberto, como somos todos na vida. Claro que, vivendo no Brasil, fazer um trabalho com tempo, é um luxo.

 

 

Você teve uma fase difícil em Chamas da Vida (pediu afastamento, após crise de depressão), que foi conturbada por causa do Dado Dolabela. Isso motivou sua decisão de sair da Record ou já havia conversas com a Globo naquela época?

 

Não teve nada a ver com nenhum outro lugar. Estava há três anos e meio trabalhando sem parar. Chamas durou 1 ano e 2 meses! Estava morta de cansaço. Queria reciclar e ter espaço para outros desafios. Foi uma decisão tranquila, com a coluna ereta e a voz calma. O período de Chamas foi o limite e não aguentei fisicamente. Só queria estar livre e ser senhora das minhas decisões.

 

 

Você tem muitos fãs latinos por causa de Alice?

 

Isso me deixa muito feliz. Alice é um personagem latino típico, levando a vida do jeito que dá, acreditando que é possível e dando uma gargalhada no meio da vidinha.

 

 

E a questão das cenas de nudez? Se você der um Google no seu nome aparece vídeos com cenas fora de contexto.

 

Isso me incomoda demais. O mau uso dessas imagens, o mau-caratismo de colocar isso em coisa pornô é tão pequeno que me dá dó. Não entenderam uma cena de nudez. Mas não dá para brigar com o mundo. Quando a gente faz essas cenas, toma o maior cuidado e espera que o fotógrafo e o diretor façam um trabalho bonito, que a gente faça um balé bonito. Agora, como o cara vai usar já é outra coisa. Um dia dei um Google e fiquei p...! Quis socar o computador. Mas não vou entrar nessa, se não dá úlcera!

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