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Personagem Saul Goodman salta de 'Breaking Bad' para o Netflix

Advogado excêntrico do drama ganha série própria, ‘Better Call Saul’, que será exibida na internet dias depois dos EUA em 2014

Clarice Cardoso, O Estado de S. Paulo

20 de dezembro de 2013 | 22h19

Terminada a última temporada de Breaking Bad e exibidos os últimos momentos de Walter White, o professor de química que se transforma em um impiedoso cozinheiro de metanfetaminas, como deixar para trás o mundo sombrio que desafia mesmo os mais flexíveis padrões morais? A pergunta que ocorre aos fãs da série acometeu também durante meses a mente por trás dessa criação. A solução encontrada por Vince Gilligan, em parceria com o autor e produtor Peter Gould, foi estender ao menos em parte esse universo ficcional, dando uma série própria a um improvável personagem: Saul Goodman, o excêntrico advogado vivido por Bob Odenkirk.

Batizada com o slogan usado pelo personagem em suas aparições em Breaking Bad, que terminou em agosto deste ano, Better Call Saul deve estrear só no ano que vem. A novidade é que estará disponível no Netflix na América Latina e na Europa apenas alguns dias depois de ser exibida nos Estados Unidos.

Seja acidente de trânsito, ataque de tigre de estimação ao filho dos vizinhos ou caçada de mafiosos mexicanos, Saul sempre encontra uma solução extravagante e absurda para qualquer situação. Foi assim que ganhou cada vez mais espaço no mundo obscuro de Breaking Bad – muitas vezes como apreciado alívio cômico – para tirar os protagonistas Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul) de toda sorte de problema. A fórmula que mesclava humor, drama e visual impecável foi um sucesso inegável. Entrou para o Guiness como a série mais bem avaliada pela crítica e saltou de 2 milhões de espectadores em seus episódios iniciais para mais de 10 milhões na temporada final nos Estados Unidos.

Na história das produções recentes, a palavra spinoff, como é conhecida a série derivada de outra, muito raramente alcança o mesmo sucesso da trama que a originou. Gilligan sabe bem disso: trabalhou em The Lone Gunmen, protagonizada por três personagens recorrentes de Arquivo X, que fracassou após 13 episódios em 2001. Os três protagonistas acabaram retornando à série-mãe – apenas para serem mortos tempos depois. “Obviamente, há um perigo em fazer um spinoff, mas amo o personagem Saul Goodman e parte de mim não quer dizer não a esse mundo”, assumiu o produtor em entrevista à revista The Hollywood Reporter.

Quando a ideia surgiu, Better Call Saul era pensada como algo similar a uma sitcom de meia hora. Por decisão dos criadores, que admitem apego à produção original, a série agora terá uma hora de duração e um prometido cuidado visual como o celebrado em Breaking Bad. Gilligan quer mesmo seguir vivendo naquele mundo.

Enquanto ainda trabalham os textos, os produtores já adiantam que vão inverter o equilíbrio entre drama e comédia da série original, deixando a última tomar cerca de 75% das cenas. Nada mais natural, já que Saul era um ponto de bom humor e otimismo num mundo cercado por tragédia.

O primeiro anúncio oficial falava numa produção que revelaria como um homem comum tornou-se o Saul Goodman, que surgiu já com certa fama e reconhecimento em Breaking Bad. Mas, com o final em aberto que o personagem teve no fim da série, ficou no ar a pergunta do que poderia ter acontecido com ele. Em entrevista à IGN, o sempre divertido ator Odenkirk disse que nas reuniões de que participa para criar o novo título, há conversas em torno de fazer algo híbrido, que seja tanto um prólogo quanto uma sequência.

Uma forma fácil de atrair os fãs será trazer alguns dos protagonistas, como Cranston e Paul, para participações especiais – os atores já sinalizaram que aceitariam o convite. Mas resta saber se Saul, por conta própria, terá estofo para manter esse público interessado e atrair nova audiência para si – algo que certamente será um fator crucial para sua longevidade.

“Tivemos de achar aquilo que incomoda Saul, ou não teríamos um programa”, admitiu Gilligan sobre a perspectiva sempre otimista do advogado trambiqueiro e a necessidade de fugir das piadas rápidas para criar roteiros de uma hora que lhe agradassem.

Vince Gilligan promete dirigir o piloto e, uma vez que a série encontre seu passo, tentará despedir-se do mundo que criou naquele pedaço de Albuquerque. Mais uma vez.

 

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