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'Person of Interest' é o novo sucesso de J. J. Abrams

Com espionagem moderna e referências a tramas clássicas, série de TV vira hit

Alline Dauroiz,

04 de dezembro de 2011 | 00h00

NOVA YORK - A ideia de justiceiros que tentam resolver os problemas do mundo não é nova. Muito menos a teoria de vigilância constante a cidadãos comuns (coisa que George Orwell previu em 1949, no livro 1984). Por que, então, a nova série Person of Interest (às terças, às 22 horas, na Warner), que tem base nessas duas premissas, tem atraído mais de 12 milhões de pessoas para a frente da TV nos EUA, garantiu 1.ª temporada completa e tem grande chance de ganhar segunda leva em 2012?

 

Há duas semanas, o Estado foi procurar respostas em Nova York, cidade que, de tão importante para a trama, também é personagem. Em visita ao set de gravação, no Silvercup Studio, no Queens - local onde também gravam a anova versão de Bonanza, White Collar e A Gifted Man -, os protagonistas da série tentaram explicar o sucesso dessa, que é outra trama de mistério de J. J. Abrams (pai de Lost), com roteiro de e Jonathan Nolan, irmão de Christopher Nolan (diretor da nova saga de Batman).

 

Na trama, Finch, um gênio da computação interpretado por Michael Emerson (o vilão Ben Linus de Lost), ficou multimilionário ao desenvolver uma máquina para o governo americano que, por meio de milhares de dados cruzados, prevê o CPF de possíveis criminosos ou vítimas de crimes ainda não cometidos - só por aí já se vê uma nova abordagem para as séries policiais, que, claro, resolvem crimes já ocorridos.

 

O dilema é que, além de não ser possível saber se os CPFs são da vítima ou do bandido, Finch criou um mecanismo para que os crimes de terrorismo fossem separados dos crimes comuns, dados estes que são apagados diariamente.

 

"Não é ficção científica. A tecnologia é possível. Trata-se de softwares que reúnem informações suficientes e reconhecem padrões, numa escala invisível ao olho humano", explica Michael Emerson. "E Nolan criou uma teoria interessante sobre como a vigilância virou parte do mundo contra o terrorismo pós-11/9, mas também traz a pergunta: ‘o que fazer com tanta informação?’"

Por motivo ainda não revelado, a dor na consciência bate em Finch, e ele (que vive sob outro nome e tem problemas no pescoço e perna) resolve chamar o ex-agente da CIA John Reese (Jim Caviezel, de O Conde de Montecristo e A Paixão de Cristo), para evitar, com muita ação, os crimes comuns.

 

"Tem informação que o governo descarta. Mas eles viram justiceiros, em uma alma meio western, muito popular na cultura americana, trazida para os tempos modernos e urbanos", acredita Emerson.

 

Os justiceiros da nova era agem incógnitos. Por estarem sempre nas cenas dos crimes, são perseguidos pela polícia, na persona da agente Carter (Tariji P. Henson, mãe de Benjamin Button no filme homônimo).

 

"Ela é a voz da razão e faz as perguntas do público. Fazer justiça com as próprias mãos é algo do bem ou do mal? E se um inocente morrer por engano?", defende a atriz. "Mas justiceiros são populares, porque são gente comum, que lutam pelo bem. É fácil se identificar."

 

Ação e paranoia. No Brasil, a Warner exibe o 5.º episódio da série nesta terça, mas o Estado acompanhou a gravação do episódio 11, quando Reese, recuperando-se de um tiro na barriga, está de cadeira de rodas, vigiando pessoas pela janela. Na cena, o público verá o mundo pelas perspectivas de Reese na cadeira, à la Hitchcock, evocando A Janela Indiscreta, apenas uma das referências da trama.

 

"Quando gravava a minissérie O Prisioneiro (da HBO) na Inglaterra, não pude voltar aos EUA, por causa da erupção de um vulcão. Fiquei trancado no hotel, e Kiefer Sutherland (o eterno Jack Bauer) estava lá", lembra Caviezel. "E foi depois de uma conversa com ele numa noite que disse ao meu agente: "Se aparecer outra (série) 24 Horas, me avise."

 

O ator, que ficou marcado pelo papel de Jesus na polêmica versão de Mel Gibson para A Paixão de Cristo - e viu os bons papéis rarearem - acredita em uma semelhança da trama com a saga Bourne (com Matt Damon), que também resolvia crimes ainda não cometidos, mas com ajuda de vidência.

 

"(Fazemos) uma mistura de A Supremacia Bourne e 24 Horas, mas também seguimos a tradição do Perseguidor Implacável (com Clint Eastwood,), elementos dos filmes de Charles Bronson", diz Caviezel. "E, se eu voltar nos tempos da escola, quando sofria bullying ou via alguém sofrendo, pensava: o que fazer pra me proteger? Aí via os filmes desses caras."

 

Taraji também diz se lembrar do filme O Fugitivo (com Harrison Ford). "Reese também é um cara de passado misterioso, que parece ser do mal, mas sabe-se lá por que razão, o público torce por ele."

 

George Orwell e sua teoria vigilante também é referência clara. Ainda mais porque o futuro previsto em 1984 chegou. É então que a série se alimenta e incentiva a paranoia moderna.

 

"Na nossa série, você vê como é fácil clonar um telefone, ou conectar o celular de alguém a um satélite para escutar tudo o que a pessoa fala", diz Emerson. "Me perturba o fato de você ir ao Google, digitar o endereço da casa dos meus pais, no Iowa, e ver uma foto dos meus pais na porta da frente. É assustador!"

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