Pega um, pega geral

Com dois dos principais atores do filme Tropa de Elite, Record põe no ar dia 5 sua nova série policial

Julia Contier, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2008 | 23h51

Na contramão do clima de paz que todo começo de ano pede, a Record aposta em uma série policial, recheada de tiros, sangue, violência e crítica à sociedade. Com estréia marcada para o dia 5, A Lei e o Crime retrata a relação entre a Polícia Cilvil e o crime organizado em uma favela carioca.Filmada na comunidade Tavares Bastos, na zona sul do Rio, e dirigida por Alexandre Avancini (de Os Mutantes), a série é escrita por Marcílio Moraes. O autor tem no currículo a novela Vidas Opostas, exibida pela Record em 2007 e que fez sucesso ao falar do universo do crime com alta dose de realismo.Dessa forma, à primeira vista, a nova história pode parecer uma continuação do folhetim. Mas não é, garante o autor. "Quando estava fazendo Vidas Opostas, até pensei em uma continuação. Mas percebi que tinha de ser algo diferente, abordando outra questão", observa.Segundo Moraes, a série pretende mostrar a diferença entre a lei e a barbárie. "A grande maioria apóia quando se mata o bandido, mas se esquece que é crime. Eu quero justamente questionar isso. Por isso que digo que é o ?anti-Tropa?", observa ele, em referência ao filme Tropa de Elite. O protagonista do filme de José Padilha, o Capitão Nascimento (Wagner Moura) é visto por muitos como um herói."Esse trabalho vem da necessidade de mostrar de maneira mais realista a situação social que a gente vive. Senão a gente sempre vai ver a favelinha típica de cenário ou o barraco da favela parecendo uma casa de classe média", diz o ator Caio Junqueira. Policial honesto em Tropa de Elite, o Neto, ele viverá um policial corrupto na série da Record.INVESTIMENTOCom a justificativa de que o gênero policial não é muito explorado na TV aberta e com a aposta de que há grande público para esse tipo de produto, a Record está investindo alto, pela primeira vez, no formato. De acordo com o diretor de teledramaturgia da emissora, Hiran Silveira, o custo por episódio é de R$ 500 mil - 60% maior do que um capítulo de novela da casa.No primeiro episódio da série, filmada com câmera de cinema, Nando (Ângelo Paes Leme) mata o sogro, Reinaldo (Roberto Frota), e passa a ser perseguido pelo cunhado, o policial Romero (Caio Junqueira). Paralelamente, há a história de Catarina (Francisca Queiroz), mulher da alta sociedade que resolve ser delegada depois de assistir ao assassinato do pai.O elenco conta ainda com André Ramiro, que viveu outro PM honesto em Tropa de Elite, além de Eduardo Lago, Nildo Parente, Heitor Martinez, Raquel Nunes e Cristina Pereira .Segundo o autor, a história se encerra em 16 episódios - e numa única temporada. Mas... "De repente, o seriado pode ter uma aceitação muito boa e a proposta de continuação", espera.Questionado sobre o projeto de uma série policial que está em desenvolvimento na Globo para ser exibida em 2009, Moraes opina que a iniciativa é interessante. "Depois de Vidas Opostas, que retratava a favela e o tráfico, veio a novela Duas Caras (da Globo), com a sua favela Portelinha. Espero que a série deles saia mesmo", diz. E alfineta: "É um confronto. Vamos ver quem faz melhor."

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