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Patrick Stewart vive apresentador egocêntrico na nova série 'Blunt Talk'

Ator está de volta à televisão

Ian Spelling - THE NEW YORK TIMES, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2015 | 16h00

Jonathan Ames, escritor, colunista, boxeador, ponta de filme pornô, desfrutou de um grande sucesso graças à divertida e bizarra série da HBO, Bored to Death (2009-2011), que criou, escreveu e produziu. Jason Schwartzman interpreta um escritor angustiado que vive no Brooklyn também chamado Jonathan Ames. Ele agora está de volta em Blunt Talk, uma nova série igualmente divertida, mas bem menos confessional, para o canal Startz.

A série, que estreou no dia 22 de agosto, traz Patrick Stewart no papel de Walter Blunt, apresentador de programas britânico que tem de administrar o enorme ego, a queda dos índices de audiência do seu programa numa TV a cabo, Blunt Talk, um escândalo pessoal não desejado, problemas familiares e o enorme desejo de melhorar os EUA e seus cidadãos. Ao seu lado, estão Adrian Scarborough, que interpreta Harry, criado de Blunt, e Jacki Weaver como Rosalie, sua diretora. Dolly Wells representa Celia, sua produtora, Timm Sharpe é Jim, redator-chefe do programa. 

A oportunidade para Ames surgiu quando Seth MacFarlane buscava uma série para seu amigo Patrick Stewart. Ames vendeu a eles a ideia de Blunt Talk. MacFarlane e Stewart gostaram, e também o canal Startz que se comprometeu a produzir duas temporadas de 10 episódios filmados consecutivamente.

“Foi uma espécie de libertação trabalhar nessa série”, disse Ames, de 51 anos, durante uma conversa por telefone de Los Angeles, onde alugou uma casa pelo tempo em que durar a produção da série. “Procuro evitar autobiografias, mesmo em forma de ficção, de modo que foi excelente inventar um mundo totalmente novo nesta série”.

“Entretanto, as pessoas se inspiram em si mesmas. De modo que coloquei um pouco do meu DNA no personagem de Walter Blunt, no personagem de Harry, Jim e Celia. Espalhei meus vários problemas e neuroses para todos os personagens, o que, no final, acabou se tornando de certo modo uma série autobiográfica, mas muito mais disfarçada.”

Ames vê Blunt como uma figura quixotesca, desafiando bravamente, mas inutilmente, os moinhos de vento. “Vejo Blunt como um líder nobre, embora às vezes seja um pouco crédulo. Mas tem boas intenções e quer fazer coisas boas para o mundo e a família que o cerca. E, quando digo família, quero dizer sua família biológica e a equipe com quem trabalha.”

“Agora, como líder, ele tem alguns rasgos de egoísmo e arrogância, mas isso é comum no caso de apresentadores de jornal na TV. Eles são uma espécie de ‘diva’.” Ames explicou que a série vai se aprofundar nos mundos e vidas pessoais de todos os personagens, mas o mais seguido será o de Blunt. “Seu programa não vem tendo sucesso, ele se divorciou recentemente e entra em crises”, explicou. “E o seu objetivo na temporada é enviar talvez uma mensagem de esperança, de que somos capazes de mudar.”

Os fãs de Patrick Stewart e especialmente os aficionados da série Star Trek que o adoram como o honrado Capitão Picard de A Próxima Geração (1987-1994) e vários filmes outros poderão se chocar ao ver o apreciado ator aliciando uma prostituta, xingando como um marinheiro e cheirando cocaína. Ames disse que Stewart adorou a oportunidade de interpretar um personagem totalmente diferente de todos que já personificou. 

“Existe uma grande força dentro dele que, com sua experiência e seu talento, extravasa como um vulcão”, disse Ames. “Patrick está muito presente em cada cena, cada tomada. É divertido, dramático e um colaborador maravilhoso e inteligente.”

O compromisso de duas temporadas assumido pelo canal Starz para Blunt Talk foi gratificante, mas um pouco assustador, disse Ames. “Essa história de duas temporadas eliminou esse sentimento de guilhotina, em que você não sabe se será a última vez em que todos estão juntos.” 

Como observamos anteriormente, Ames foi lutador de boxe, trabalhou como colunista para um semanário independente de Manhattan, escreveu romances e produziu para a televisão, e também fez uma ponta num filme pornô. E trabalhou com monólogos no teatro, além de dirigir um táxi. Parafraseando Grateful Dead, ele fez uma longa e estranha viagem. “Como a vida de qualquer pessoa, certamente a minha foi estranha. Mas não vivemos todas as nossas vidas ao mesmo tempo. Vivemos cada dia.” / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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