Parentes e lagostas num conto moral

Filme de Kevin Jordan, o triste Uma História do Brooklin seduziu até o durão Scorsese

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2008 | 23h31

A história não poderia ser mais simples: Frank Giorgio (Danny Aielo), proprietário de um criadouro de lagostas, luta contra a crueldade do sistema bancário, que não poupa ninguém. Ameaçado com a perda do negócio e ainda enfrentando problemas familiares, Frank vai ter de arrumar um jeito de convencer o filho Michael (Daniel Sauli) a assumir a administração do criadouro. Baseado num drama real, o projeto do jovem diretor e roteirista Kevin Kordan foi apadrinhado por Martin Scorsese e não é difícil justificar a razão: o filme é um pouco como os antigos contos morais do japonês Ozu, em que a célula familiar preserva valores morais contra um sistema econômico imoral. O alvo de Jordan, claro, é o capitalismo, que empurraria contra a parede a família e seus valores. Mas o irritadiço Frank não desperta especial simpatia nos espectadores. Nem mesmo nos juízes que vão decidir se Frank mantém ou não o negócio. O diretor adaptou a história da própria família e transfere ao filme o realismo necessário para comover espectadores mais sensíveis que a média: Martin Scorsese, por exemplo, que foi totalmente seduzido pela sinceridade do jovem colega diretor.

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