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Parcerias e cautela

Apesar do aumento da demanda, os produtores reclamam de altos custos

Cristina Padiglione - O Estado de S.Paulo,

16 de janeiro de 2012 | 23h03

Quando o assunto é a venda de programas brasileiros no exterior, Luiz Noronha, da Conspiração Filmes, é mais realista - sem perder a ternura. "O Brasil está engatinhando como fornecedor. Essa coisa de interesse lá fora é uma relativa verdade, que ocorre exclusivamente por causa de Copa, Olimpíada e da boa fase da economia", diz. "Primeiro porque é caríssimo, em comparação com qualquer país da América Latina, produzir aqui."

O diretor da Conspiração frisa a questão da língua portuguesa, eterna barreira para o Brasil no campo da exportação. Daí o fato de Rouge Brésil, a superprodução de R$ 20 milhões na qual a Conspiração está envolvida, em parceria com o canal TF2, da França, e a TV Globo, mais apoio da portuguesa RTP, ser toda gravada em inglês.

Baseada em romance homônimo de Jean-Christophe Rufin, o enredo discorre sobre a efêmera expedição França Antártica, comandada por Villegagnon na Baía da Guanabara, no século 16. Até que os dois países afinassem quanto caberia de custos e benefícios a cada parte, minutas de contrato passaram de uma mão a outra muitas vezes, conta Noronha. As gravações tiveram o Brasil como locação por escolha dos franceses. "Mas esse é um caso em que nós poderíamos gravar em qualquer selva na Colômbia ou no Vietnã, nem precisava ser aqui."

Noronha estende suas críticas ao modelo de distribuição. "Como a produção independente no Brasil para TV é muito incipiente, o País não é um mercado maduro como indústria. E faltam distribuidoras, aqui você não tem esse profissional: o produtor capta, vende e distribui, mas produtor não é bom vendedor, com raras exceções."

A Conspiração desenvolve ainda, com o History Channel, um projeto em coprodução com a Alemanha: em formato de animação, Crossing - Terra Prometida aborda histórias de judeus que fugiram rumo ao Brasil durante a 2.ª Guerra. O título recebeu ajuda financeira do Fundo Setorial do Audiovisual e está destinado à TV Cultura.

Mais animado, Giulliano Cedroni, da Pródigo, que coleciona 15 anos no mercado, também reconhece a língua como barreira. Mas, produtor de FDP, principal série brasileira anunciada pela HBO para este ano, sabe que seu produto tem boas chances no mercado internacional. "A gente tem sido procurado por diversos grupos interessados em parcerias", conta. Além de FDP, série sobre a vida de um juiz de futebol, a Pródigo faz também uma série sobre crimes passionais para o canal A&E, sob o sugestivo título Até Que a Morte nos Separe.

Nosso futebol e arte têm gerado apetite no exterior, mas Isaura, Leôncio e seus comparsas de telenovelas ainda são imbatíveis no ramo. As telenovelas da Globo chegam hoje a mais de cem países. Para quem está na moda, no entanto, a diversidade tem lá seu valor. "A gente está amadurecendo, o Brasil está na onda, é uma novidade no mercado internacional", afirma Tiago Mello, da Mixer, produtora da série teen Julie & Os Fantasmas.

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