'Paraíso 2', agora no pantanal

Após fiasco de trama hi-tech, Globo devolve universo rural ao horário das 6: é o Benedito

Julia Contier, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2009 | 22h18

Um olhar. Um sorriso. Um beijo roubado. É o quanto basta para alguém se apaixonar. Com esse texto, a Globo embala as chamadas para a novela que estreia amanhã, na faixa das 6. Autor do original, o expert em tramas rurais Benedito Ruy Barbosa aposta que quando o telespectador se apaixona pela história, pensa nos personagens e torce para a mocinha do interior ficar com o rapaz da cidade grande - ainda que ela tenha fama de santa e ele, de filho do diabo - aí vira novelão.

 

É nessa equação que a Globo aposta para colocar no ar, a partir de amanhã, o remake de Paraíso. Quer alavancar a audiência das 6, minada com Negócio da China, que tentava caçar público jovem.  

 

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"As mulheres me perguntam onde está o amor nas novelas. Hoje começa com o marido traindo a mulher, a mulher que já dormiu com quatro", fala Benedito.

Pantanal

A versão original, de 1982, foi gravada no interior do Rio de Janeiro. A nova Paraíso mereceu cenas no Pantanal, o que há de evocar Pantanal, novela do mesmo autor, feita há 19 anos pela extinta TV Manchete e cuja reprise arrebatou excelente audiência para o SBT no ano passado. "Pantanal é um lugar muito bonito, a boiada andando de baixo pra cima...", justifica Benedito.

Responsável pela adaptação, Edmara Barbosa, filha do autor, assegura que a novela nada tem a ver com Pantanal. "Filmamos no Mato Grosso, a paisagem é diferente." Diz que não tem tanto rio, tanta água, jacaré. É mais boi, pasto, paisagem da Chapada dos Guimarães. "Fala de comitiva, da vida no interior." E vai ter gente que vira bicho? "Não", promete. "Tem uma coisa de folclore mais da Bahia. O diabinho na garrafa vem um pouco de lá."

"Paraíso tem a ver com Paraíso. Só foi atualizada", encerra Edmara. Em 1982, o Brasil passava pela abertura política e essa discussão aparecia na trama. Como é praxe de Benedito, a questão agrária estará lá, assim como o desmatamento. A viola, outro cartão de visitas do autor, também dá as caras na trilha sonora, com Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, Zé Geraldo e Renato Teixeira. Eita!

 

Pantanal x Paraíso: qualquer semelhança não é mera coincidência

 

A abertura

O efeito espelhado, típico do Pantanal na época da cheia do Mato Grosso do Sul, foi usado na abertura da novela Pantanal. Em Paraíso, o recurso se repete e o título até invade a água

Externas

Pantanal foi a primeira novela quase inteiramente gravada em cenário natural. É por isso que a nova Paraíso, gravada no Mato Grosso, também nesse quesito iguala-se mais a Pantanal

As mulheres-onça

Juma e sua mãe viravam onça em Pantanal, lembra? Agora, Benedito Ruy Barbosa fez questão de escalar Cristiana de Oliveira para Paraíso e Cássia Kiss será de novo mãe da heroína.

Cartão postal

O famoso voo do tuiuiú, o céu com vários tons de vermelho, a boiada atravessando o interior do Mato Grosso, tudo isso fez sucesso em Pantanal e deve agradar em Paraíso

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