Para quem tem estômago

De formato argentino, novo reality da Band mostra o cotidiano de prontos-socorros de SP

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 23h41

"Ele estava hipotenso e podia ser um enfarte de VD. Vamos fazer um V3R, V4R." A menos que você seja médico ou enfermeiro, a frase acima não deve ter feito o menor sentido, não? Pois agora, todos esses e muitos outros termos médicos serão divulgados em TV aberta, a partir de terça-feira, às 22h30, quando a Band leva ao ar o E24, nova parceria com a produtora argentina Cuatro Cabezas, a mesma dona do formato CQC. Como ocorreu com o humorístico queridinho da mídia, o programa chega ao Brasil depois de passar por Itália, Espanha, Chile e Argentina.

Na onda dos reality shows, a emissora enquadrou a nova atração na categoria de "doc reality", que nada mais é do que um documentário sobre o dia a dia das equipes paulistanas de resgate dos bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Uma espécie de ER - Plantão Médico real.

O tom mais realista está no fato de que o programa não tem apresentadores, repórteres ou narração. Serão apenas registros dos salvamentos, com aquela câmera meio trêmula, inquieta. O propósito é acompanhar cada passo dos médicos.

Em uma lembrança do seriado americano Emergência 911, dublado na TV aberta nos anos 1990, o novo E24 também mostra depoimentos de vítimas e paramédicos, durante o atendimento e depois que os casos são solucionados. O que, além de evidenciar o drama da família da vítima, vale para tornar as sequencias mais didáticas.

Logo após dizer a frase enigmática do começo deste texto, a médica procura os familiares de um senhor de 99 anos para obter explicações. "Ele chegou com a pressão bem baixa e a suspeita de que tivesse tido um enfarte. Durante a medicação para melhorar a pressão, ele teve uma arritmia cardíaca. Demos choque, e agora ele está sedado." Ah, bom!

POLÊMICA

Tabu nos meios de comunicação, uma tentativa de suicídio será alvo do primeiro episódio. Nas imagens, o Corpo de Bombeiros é acionado para salvar um idoso que feriu-se com uma faca. Nesse caso, rostos de vítima e familiares são desfocados - a médica explica que em situação assim, toda a família tem de ser tratada. "É preciso descobrir o que levou o paciente a medida tão extrema", diz.

Depois de encaminhar o senhor ao hospital, o programa não mostra desfecho. De acordo com a direção, nem só casos bem-sucedidos irão ao ar.

Se depender de material, o programa vinga na Band. Com duração de uma hora, o E24 pretende mostrar dez casos por semana, mas a produção diz já ter captado mais de 160 ocorrências, em 1.200 horas de gravação. Em São Paulo, o número não assusta. São cerca de 400 ocorrências diárias nos bombeiros e 30 mil casos atendidos no mês pelo Samu.

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