Renato Rocha Miranda/TV Globo
Renato Rocha Miranda/TV Globo

Para quem precisa

A polícia que investiga policiais é o centro de 'Força Tarefa', aposta da Globo no gênero

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 23h40

A polícia que tem de cortar a própria carne está no centro da narrativa do seriado Força Tarefa, que estreia na Globo na próxima quinta-feira. O programa mostra o cotidiano da corregedoria da polícia, encarregada de investigar crimes cometidos por policiais, especialmente sob a ótica do exemplar Tenente Wilson (Murilo Benício), que faz parte da equipe do Coronel Caetano (Milton Gonçalves).

"Os personagens principais formam um grupo de policiais que acreditam na Lei. Não é um programa de teor social, mas que propõe a discussão sobre como as nossas leis são passíveis do jeitinho brasileiro", explica o diretor, José Alvarenga Jr.

Força Tarefa estreia num bom momento para histórias policiais, que começou com a onda Tropa de Elite nos cinemas e se sustentou na TV com o seriado A Lei e o Crime, da Record. "A gente queria adaptar o Tropa de Elite como seriado, mas o projeto não foi adiante. Mesmo assim continuamos com a vontade de fazer uma história policial", detalha o diretor.

A ideia de ambientar a série na corregedoria partiu do escritor e roteirista Marçal Aquino (do filme Os Matadores), que já havia notado o potencial dramático do grupo de policiais desde os tempos em que foi repórter no Jornal da Tarde, nos anos 80. "Um desafio interessante para nós é que hoje em dia é muito difícil você olhar os policiais como heróis. Nosso objetivo foi criar um policial que tem, sim, uma coisa de heroísmo", explica Marçal, que assina os 12 episódios com Fernando Bonassi. "Mas sem perder de vista que ele é humano e, portanto, vai viver uma luta interna, ter conflitos e fraquezas."

Com a grande maioria das cenas gravadas em externas, muito longe dos cartões-postais do Rio, Força Tarefa está mais para investigativa do que violenta, anota Alvarenga. Mas se faltar sangue, vai sobrar polêmica. "Não estamos fazendo documentário, fazemos ficção. Por isso, trabalhamos com liberdade e não estamos preocupados com a reação da polícia de verdade", diz Marçal. "Não é que os policiais do seriado persigam policiais, simplesmente. Esses policiais, que passaram a fronteira da lei são bandidos, nada menos do que isso."

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