Para quem nunca viu um pé de tomate

Remake de 'Paraíso' faz bonito ao contar uma mesma história de modo bom de se ver

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2009 | 23h27

Aquela coisa de não mexer em fórmula que dá certo, "em time que está ganhando", não deveria se aplicar a novelas. Significa que, no fim das contas, vamos ver a mesma história, depois de uma maquiagem básica nos elementos principais. Mas, misteriosamente, não são poucas as vezes em que o golpe de mestre de refazer uma história de sucesso dá certo, cai bem. E o que importa, nesse caso, não é o que se conta, mas a maneira como se conta. No horário das seis da Globo, há vários exemplos. A trilogia O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta e Alma Gêmea, de Walcyr Carrasco, lindas, fofas, de época e com várias semelhanças entre si - três grandes sucessos.

De Benedito Ruy Barbosa, já tivemos os remakes de Cabocla e Sinhá Moça, sucessos no original e no repeteco. Agora, partimos para Paraíso, que estreou na segunda-feira, repaginada por sua filha Edmara Barbosa. É um remake da Paraíso de 1982, com cara de Pantanal de 1990! - remake ao quadrado. Mas é boa, viu...

Difícil falar sobre uma novela assim, logo no começo. Mas, de cara dá para perceber que Carlos Vereza vai arrasar como o Padre Bento - adoro padres de novela das 6, como aquele Padre Inácio de Marcos Caruso em Desejo Proibido. Cássia Kiss vai dar muita raiva como Mariana, num contraponto perfeito com o Antero de Mauro Mendonça - que nem se refez da dona Irene de A Favorita e já está aturando uma mulher mala de novo, coitado. Neste começo, foi simpático escalar Marcelo Faria como o jovem Eleutério, vivido no presente pelo pai, Reginaldo Faria.

Paisagens lindas, e a câmera do diretor Rogério Gomes, que anda devagarzinho, valorizando os silêncios. E o texto de Benedito é a ode às coisas simples da vida, cheio de "dita cuja", "caramulhão" e "ocê". Muita comida na mesa das fazendas, o amarelo da luz de lamparina nos flashbacks, a moda de viola, que despertam na gente uma saudade de Guaxupé - justo em quem mal conhece um pé de tomate. E eu juro que nunca tinha reparado que berrante é sexy.

Novelão, para desacelerar quem tem a sorte de já estar no sofá às 6 da tarde. E eu nem quero me questionar se pode haver mesmo nos dias de hoje uma moça como a tal "santinha" Maria Rita, que cobre a cabeça com véu branco e anda de charrete. Nathália Dill, aliás, vai bem como protagonista. Mas se vacilar, já sabe: vai virar "Maria Irrita".

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