Paulo Belote/ TV Globo
Paulo Belote/ TV Globo

Para Herson Capri, reprise de 'Era Uma Vez' traz saudade de um tempo mais saudável e alegre

Novela de Walther Negrão começa ser reapresentada nesta segunda, 4, no Canal Viva

Entrevista com

Herson Capri

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2021 | 06h01

Paranaense de Ponta Grossa, o ator Herson Capri, de 69 anos, brilhou mais uma vez na TV ao surgir na pele do poderoso e inclemente sheik Aziz Abdallah, na novela Órfãos da Terra (2019), de Duca Rachid e Thelma Guedes. Seu olhar era tão forte e intimidador que conquistou o público exatamente por essa força dramática. Quem o viu nesse papel, vai se divertir em revê-lo em outro momento, um tanto diferente.

A partir da segunda-feira, 4, começa a ser reprisada no Canal Viva a novela Era Uma Vez, com exibição às 12h30 e reapresentação na madrugada, à 1h15, de segunda a sexta-feira. Exibido originalmente pela TV Globo em 1998, o folhetim foi escrito por Walther Negrão, com direção de Jorge Fernando, Marcelo Travesso e Fabrício Mamberti. Com trama romântica, Era Uma Vez traz traz a história de Álvaro (Capri), viúvo com quatro filhos, que moram com ele em um sítio ao lado do avô, Pepe (Elias Gleizer).

Ele precisa lidar com o sogro, o rico Xistus (Cláudio Marzo), dono de uma fábrica de chocolates, que contrata uma nova governanta para sua casa. Em breve tempo, Madalena (Drica Moraes) conquista a todos, principalmente as crianças e o pai delas, que já tem uma namorada, Bruna (Andrea Beltrão). E aí começa a ser traçada a trajetória dos personagens e suas ligações. 

Em entrevista ao Estadão, por e-mail, Capri relembra momentos de Era Uma Vez. 

Como foram as gravações? Algum momento ficou marcado para você?

Era Uma Vez foi uma novela gostosa de fazer. Uma novela que traz a família e o afeto como eixos centrais. Tem um elenco com muitos talentos e uma reunião de pessoas incríveis como o querido Elias Gleiser, sempre alegre e brincalhão. Tem Andrea Beltrão e Drica Moraes, duas atrizes de alto nível além de pessoas muito especiais. Tinha Claudio Marzo, um grande ator e um ser humano generoso. E ainda Nair Belo, Diogo Vilela, Antonio Calloni, grande Yoná Magalhães, Flávio Migliaccio e as crianças, que trouxeram tanta alegria aos trabalhos. E mais um time de artistas e técnicos com quem dá vontade de trabalhar sempre. Eu faço um veterinário que cuida de cavalos de corridas, apaixonado pelos filhos e pela profissão. Nessa novela, precisei fazer várias cenas de treinamento de cavalos nas pistas de corridas. Foi emocionante. 

Como é ver esse trabalho de volta à TV?

Assistir à reprise de Era Uma Vez vai ser uma volta a um passado recente. Final do século 20. Final da década de 1990. Essa “volta ao passado” só é possível, com tanta nitidez e precisão, nas artes audiovisuais. O único problema é a gente se ver 22 anos mais jovem. A diferença é enorme (risos). 

Por ser uma história de amor, acredita que se encaixa bem nesse momento de tanta insegurança e tão difícil pelo qual estamos passando? É um folhetim que pode trazer momentos leves e ajudar as pessoas esquecerem um pouco a situação?

A novela é leve, suave, fala de amor e dos afetos em uma época sem covid, quando a gente podia confraternizar e se abraçar sem medo. Acho que rever Era Uma Vez vai trazer a saudade de um tempo mais saudável e mais alegre. Pode ser um alento cheio de esperanças. 

Como vê essas alternativas de reprisar novelas?

As reprises são muito bem-vindas. Com elas, podemos acompanhar a evolução ou involução da qualidade das novelas e, portanto, da televisão brasileira. Rever colegas. Sentir os costumes e comportamentos da época. E as técnicas que estão constantemente em transformação. Só sinto falta de alguma boa tecnologia que faça com que as imagens antigas sejam melhoradas e conservadas. Como já existe no cinema. 

Como tem lidado com a pandemia e o isolamento social? Tem aproveitado para fazer coisas que não tinha tempo?

Estou em quarentena desde março passado. Estou praticamente isolado e só vejo a família. Saio só quando necessário, como ir a médico ou dentista. E só saio de casa com máscara, às vezes com duas máscaras, e sempre com álcool gel no bolso, que passo nas mãos e nos pulsos cada vez que toco em qualquer coisa. Estou me cuidando e cuidando para não ser transmissor. Aproveito o tempo para ler e pensar. 

Você gosta de rever trabalhos antigos?

Rever trabalhos antigos tem aspectos muito positivos. Já assisti à algumas cenas de reprises que, na época das gravações, eu não estava gostando do meu trabalho de ator, mas revendo passei a gostar do que eu tinha feito. Já me aconteceu também o contrário. Na época das gravações, eu me achar ótimo e depois, na reprise, detestar muito aquele meu trabalho. E assim a gente vai evoluindo. Então, a reprise pode ser uma revisão bastante positiva.

 

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