Munir Chatack/Divulgação
Munir Chatack/Divulgação

Para ela, o pop ajuda a bancar o cult

Com papéis densos no cinema, vilania de Verônica dá leveza à vida da atriz

Etienne Jacintho, de O Estado de S. Paulo,

13 de março de 2010 | 16h00

O que um remake de uma novela colombiana e um filme baseado em contos russos têm em comum? Aparentemente nada, mas a atriz Simone Spoladore circula nos dois mundos: vive a vilã Verônica em Bela, a Feia, da Record, e estará nos cinemas, dia 26, com Insolação, filme de Daniela Thomas e Felipe Hirsch. Ao Estado, a atriz confessa que ficou com o pé atrás na hora de dizer sim às novelas, mas afirma que viu na TV um modo de ter a estabilidade financeira necessária para fazer cinema no Brasil.

 

Como é fazer uma vilã caricata como Verônica?

 

Estou me divertindo, porque é bom descobrir esse outro caminho. Havia feito comédia no teatro, mas nunca na TV. A vida fica mais leve (risos). É prazeroso.

 

Você é considerada uma atriz cult e agora está na adaptação de uma novela colombiana. Ninguém te criticou?

 

Ninguém, acredita? Achei até que fosse ouvir, mas não ouvi. Acho que as pessoas estão se divertindo com a Verônica e estão gostando de me ver fazendo algo diferente.

 

Você saiu da maior emissora do Brasil e foi para a Record. Qual é a diferença?

 

Na Record, como tem isso de estar recomeçando, há uma tranquilidade maior.

 

Você fez, na Record, um contrato longo ou por obra?

 

Fiz um contrato por obra, mas estou pensando em renovar. Terminando a novela a gente vai conversar, mas a intenção é renovar.

 

E que tipo de trabalho você gostaria de fazer?

 

Vou tirar um tempo de férias para descansar, porque novela é um trabalho que cansa bastante. Queria fazer algo completamente diferente da Verônica, até mesmo uma mocinha, daquelas bem boazinhas...

 

Seu primeiro papel no cinema foi em Lavoura Arcaica e na TV, na minissérie Os Maias, duas obras importantes. Você se considera uma pessoa de sorte?

 

Comecei aos 7 anos no balé e, aos 13, fiz curso de teatro. Aos 16, fiz minha primeira peça profissional. Fui para São Paulo e comecei a fazer testes. Fiz o teste de Lavoura Arcaica e passei e, depois, o Luiz Fernando (Carvalho, diretor e ex-marido de Simone) me chamou para fazer Os Maias. É uma mistura de coisas. Foi sorte o Luiz Fernando estar procurando alguém com meu perfil, mas fui atrás também. Quando fiquei sabendo dos testes para Lavoura, li o livro. Tinha dois amigos que iriam fazer o teste e fui com eles, ou seja, foi um pouco de petulância, também (risos). São várias coisas e sorte.

 

Você não ficou cabreira de começar a fazer novela e ser rotulada como atriz só de TV?

 

Confesso que isso passou pela minha cabeça, mas o mercado que a gente tem é o de TV. Minha vida é fazer cinema. Em alguns filmes que faço - para não dizer a maioria -, abro mão do cachê, então, tem de dar para conciliar esses dois lados: o artístico e o financeiro. Nosso cinema ainda não virou mercado. Está em crescimento e quero fazer parte disso. Além de tentar contribuir artisticamente, me sinto produtora do cinema brasileiro, pois aceito fazer filme sem cachê e fico orgulhosa disso.

 

E a TV é o meio para você poder fazer isso.

 

Exatamente. Essa estabilidade financeira possibilita investir em outros lugares.

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