Para Brooke Shields, série é um reality show

Brooke Shields virou sex symbol ainda adolescente. Aos 13 anos protagonizou Pretty Baby, filme em que sua personagem tinha a virgindade leiloada; aos 15, veio A Lagoa Azul, em que aparecia com trapos sexies. Sua mãe foi criticada, mas elevou Brooke à condição de queridinha da América. Brooke voltou aos tablóides, cinco anos atrás, por causa de uma depressão pós-parto. Escreveu um livro, justificou biologicamente seu comportamento e voltou aos holofotes. Por telefone, ela fala de Lipstick Jungle. Sua personagem trabalha, tem marido e filho. Você se identifica com Wendy?É praticamente um reality show (risos)! Não que eu me vista tão bem quanto ela... Wendy é um pouco melhor do que sou na vida real. Mas me identifico com esse sentimento de nunca ser perfeita. Tentar fazer tudo é uma frustração. Ela se esforça em todas as áreas, mas valoriza mais a família e trava essa batalha com ela mesma, já que o mundo em que está é muito ambicioso. Ela pensa que precisa fazer mais e mais - e concordo. Sinto-me assim. Quero ter certeza de que sou profissional e de que meus filhos não achem que não fico com eles o suficiente. O que você acha de mulheres que querem um homem ao seu lado, mas não dependem dele?Candace Bushnell retrata essas mulheres muito bem. Essa condição é cada vez mais possível. Acho importante que as mulheres tenham sua carreira e possam sustentar-se, pois isso faz com que o relacionamento comece de outro ponto. Admiro essas mulheres. Cresci com a idéia de que ninguém precisa me sustentar. E o lado bom é que dá liberdade de gostar de um relacionamento sem a necessidade dele. O amor se torna mais proeminente. Você se inspirou em alguém para interpretar Wendy?Não somente em uma mulher, e sim em várias. Principalmente da Califórnia, onde estão as executivas dos estúdios, e em Nova York, onde encontrei publicistas, agentes e cineastas... Enfim, mulheres que ocupam altos cargos. Wendy tem um pouco de cada uma delas. E é uma amiga leal. Tenho visto mulheres poderosas - em NY, especialmente - que não precisam magoar umas às outras para subirem na carreira. Wendy é uma mistura dessas mulheres que me impressionaram ao longo dos anos. Por que você decidiu entrar em Lipstick? O nome de Candace Bushnell pesou na sua decisão?Sim. Li o livro logo que foi publicado e gostei: é divertido, inteligente e tem drama. Sou fã da Candace, a série é gravada em NY, minha cidade natal, as mulheres são espertas, fortes, e as roupas são um tipo de recompensa!Foi difícil crescer em frente às câmeras?Foi menos difícil para mim do que para jovens que crescem fora do olhar do público e, de repente, são empurrados para isso. Desde muito jovem, isso tem sido parte da minha vida. Não creio que tenha sido tão duro como poderia ser e só tive de me ajustar. Que tipo de mensagem você passa para o público de Lipstick?Que é possível representar mulheres fortes, espertas e extremamente bem-sucedidas sem fazer delas mulheres cretinas, invejosas e más, nem masculinizá-las. Estamos dizendo que é ?ok? querer mais. Você só tem que estar disposta a trabalhar. O que você acha da comparação com Sex and the City?É uma honra e, se a gente tiver só um pouco do sucesso que elas tiveram, será maravilhoso. Essa é uma versão mais moderna, atual. São mulheres que estão em um estágio diferente em suas vidas. Penso nisso freqüentemente e não creio que estamos em Sex and the City. Hoje, elas representam mulheres espertas e poderosas sendo cretinas. Esse conceito acabou. Essas mulheres podem ser boas amigas, boas mulheres e boas profissionais. Podem ser vulneráveis e também fortes. É um conceito mais moderno, mais verdadeiro da mulher. A série ajuda os homens a perderem o medo de se relacionarem com mulheres como Wendy?Estamos tentando mandar esse medo embora. Homens não estão acostumados com a possibilidade de perder seus empregos para uma mulher. Esse é um conceito novo para eles. Estamos tentando dizer que jogamos limpo para subir. Creio que vamos tirar um pouco do medo e fazer essas mulheres parecerem ainda mais sexies.

O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2008 | 22h15

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