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Carlos Fofinho/Divulgação
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'Paixão Bandida', série do AfroReggae, ganha segunda temporada

Agora, foco são os homens que cuidam da casa e dos filhos enquanto mulheres cumprem pena em presídios

João Fernando, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2014 | 03h00

Transitar livremente por penitenciárias e bater um papo com criminosos faz parte do dia a dia de José Júnior. O coordenador da ONG AfroReggae, que dirige a nova temporada do Paixão Bandida, prevista para estrear em abril, no GNT, garante não ter comedimento nem temor ao colocar uma equipe de TV diante de bandidos para mostrar o cotidiano deles no cárcere e fazê-los falar.

"Um dos cinegrafistas tinha cinco irmãos que eram traficantes e foram assassinados. A mãe era assaltante e foi presa. O outro câmera foi traficante e o operador de áudio também. Olha só a minha equipe, já dá para sentir o clima. Esses caras não têm medo. Isso me traz alguma vantagem", conta Júnior. Para ele, esse é o segredo para o sucesso da atração em um ambiente difícil. "O cara que está fazendo a câmera conhece aquilo ali, ele cresceu no meio do crime. Sabe o que pode e não pode filmar. A produtora é classe média alta, que não viveu esse universo. O último programa do diretor foi na São Paulo Fashion Week. Essa diversidade é a combustão que dá certo."

Desta vez, o reality, que antes mostrava namoradas e mulheres de detentos, fará o inverso e dará vez aos homens que cuidam dos filhos e da casa enquanto suas amadas cumprem pena. Diferentemente das outras atrações do AfroReggae, que faz inclusão social por meio da arte, a o segundo Paixão Bandida foi totalmente rodado em São Paulo. "Quando se pensa no universo da favela, o Rio sempre vem à cabeça. As séries e filmes sobre violência acontecem lá. O AfroReggae abriu um escritório em São Paulo e queríamos quebrar esse paradigma."

Um das cenas foi rodada na penitenciária feminina Dra. Maria Cardoso de Oliveira, no Butantã. Lá, a produção armou o casamento de Juliana e Valter Oliveira, no último dia dela na prisão, onde cumpria pena de dois anos e meio por tráfico de drogas. Ele cuida dos três filhos dos dois, juntos há 18 anos, Juliana engravidou no período e estava prestes a perder o direito de manter o filho com ela.

"A maior dificuldade é como passar isso para o telespectador sem que ele interprete qualquer atitude errada. O que o Paixão Bandida passa é paixão. Como passar sem dizer que está valorizando o bandido?", preocupa-se Júnior, que tem bom relacionamento com autoridades e diretores de presídio. Ele tem planos para uma nova leva da série. "Se houver terceira temporada, vai ser sobre o universo LGBT, comum nas prisões."

Além de pré-produzir outro reality sobre quem está atrás das grades, José Júnior tem um projeto para percorrer o caminho bíblico de Abraão, no Oriente Médio, em regiões tensas, como Irã e Iraque. "Eu ia fazer pela experiência, mas por que não gravar? Já vivo em risco o tempo todo. Claro que de outro tipo. Imagina se cai uma bomba perto de mim", palpita ele, que passou um período escoltado por causa de ameaças.

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