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'Outcast', a nova série do criador de 'Walking Dead', estreia na TV

Exorcismo e possessão demoníaca estão no centro da trama de Robert Kirkman

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

04 de junho de 2016 | 16h00

LONDRES - Os filmes com zumbis podiam ser contados às dezenas, quando Robert Kirkman criou o apocalipse zumbi interminável em The Walking Dead, primeiro os quadrinhos, depois a série que ainda concentra multidões na frente da TV, computador, telefone ou tablet. Ele meio que faz a mesma coisa com a possessão demoníaca em Outcast, que é mais assustador.

O seriado baseado nos quadrinhos de mesmo nome estreou no Brasil ontem, 4, à 0h30min, no Fox1, e será exibido neste domingo, 5, às 23 h, no Fox.

O protagonista é Kyle (Patrick Fugit, de Quase Famosos), que lidou com demônios sua vida inteira. Ele se alia ao reverendo Anderson (Philip Glenister) para lutar contra isso na pequena cidade onde mora, no sul dos EUA. “Robert Kirkman se concentrou muito no desenvolvimento da história”, disse Fugit em entrevista ao Estado, em Londres. “Ele quer que exista um panorama mais amplo. O filme O Exorcista é inteiro sobre aquele exorcismo. Quando o demônio sai de dentro da garota, acabou. Em Outcast, ele quer explorar o que vai acontecer com a próxima pessoa. Como impedimos de acontecer? Como a pessoa possuída fica após ser exorcizada? E isso é interessante.”

Da mesma forma que em The Walking Dead, Outcast lida muito com as questões pessoais dos personagens. Kyle começa a temporada isolado, mas logo se liga ao reverendo, apesar de os dois terem visões divergentes em relação ao que está acontecendo. “Mas ele começa a perceber que pode controlar seu destino. Claro que existem muitas perguntas a serem respondidas.” O mesmo acontece com sua irmã, a psicóloga infantil Megan (Wrenn Schmidt), e sua ex-mulher, Allison (Kate Lyn Sheil), que deixou a cidade com sua filha para escapar de um acontecimento que abalou o casamento. O reverendo também enfrenta os próprios problemas. Ele afastou pessoas próximas por conta da dedicação à sua causa – ele se diz um “soldado de Deus”. Para se preparar para o papel, Glenister não se entregou aos vídeos de exorcismos nem assistiu novamente ao clássico de 1973, dirigido por William Friedkin. “Na verdade, estudei mais esses pastores evangélicos que aparecem na TV americana. Um deles, de Charlotte, me provocou uma epifania. Ele era como um pop star, um integrante do grupo One Direction”, contou. Segundo o ator, a sua abordagem deu certo. No fim de uma cena de sermão, foi aplaudido, e uma das figurantes disse que estava convertida.

Essa foi a parte fácil da preparação. Os atores tiveram de passar por um treinamento para ganhar o sotaque da região oeste do Estado de West Virginia. Glenister, que é inglês, tentava manter o sotaque fora do set também. Muitas cenas tinham efeitos visuais elaborados ou foram rodadas em condições pouco cômodas. “Passamos um dia deitados na lama, embaixo de chuva”, contou Fugit, aos risos. “E gravamos muito no carro do reverendo. Não sei onde conseguiram aquele carro, mas fedia tanto que parecia que alguém tinha sido morto lá dentro.”

O pior, porém, era contracenar com o menino Gabriel Bateman – Kyle precisa bater no personagem do ator de 10 anos. “As cenas mais duras foram feitas com dublê, mas era bem difícil fazer essas coisas com o pequeno Gabriel. Mas ele tinha de ser ameaçador, e era!”, contou Fugit. No fim, nenhuma criança de 10 anos foi ferida e as pequenas dificuldades serviram para unir o elenco. Felizmente, nada de anormal aconteceu durante as filmagens para assustar a equipe. “Só que alguns moradores colocaram cartazes dizendo: Outcast vai trazer o demônio para nossa comunidade!”, contou, rindo, Patrick Fugit, acrescentando, porém, que, em geral, eram apoiadores de Donald Trump à presidência.

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